MIMO Festival: olá Guimarães, adeus Amarante!

Nascido em Amarante em 2016, a edição portuguesa do MIMO Festival muda-se já no final de junho para Guimarães.

No momento em que Guimarães é Capital Verde Europeia e em que o MIMO assinala uma década de presença em Portugal, o festival chega ao berço da nação e, logo no início do verão, promete “uma edição especial, à medida, com uma programação irresistível, abrangente… e de acesso gratuito — ou não fosse a acessibilidade uma das marcas do MIMO”, lê-se em nota de imprensa da organização.

Durante o MIMO Guimarães haverá cultura em toda a cidade: nas ruas, nos parques, nas igrejas e em vários espaços icónicos do seu património edificado. Nesta primeira edição, o festival sobe à colina e instala o palco principal no Campo de São Mamede. Mas a festa chega também ao Paço dos Duques de Bragança, à Igreja de São Domingos, à Igreja de São Francisco, à Igreja da Oliveira, ao Largo Condessa do Juncal, ao Largo de S. Tiago, ao Largo Cónego José Maria Gomes e ao Museu de Alberto Sampaio, onde tudo vai estar a postos para acolher os habitantes da cidade, de todas as idades e de todos os gostos… e quem escolher visitar a cidade por esses dias.

O presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, deixa algumas pistas sobre o que motivou a cidade a acolher o MIMO:  “Guimarães conquistou o MIMO e isso é, para todos nós, a afirmação de Guimarães como cidade capaz de disputar, atrair e realizar grandes eventos de dimensão internacional. No ano em que o MIMO assinala uma década de presença em Portugal, é profundamente simbólico que este festival chegue ao berço da nação e a uma cidade Património Mundial, onde a história, a cultura, o talento e a identidade coletiva se cruzam todos os dias com mais ambição de futuro.

Lu Araújo, fundadora e diretora do MIMO, realça:“…estamos a trabalhar a um ritmo imparável, em estreita colaboração com a Câmara Municipal de Guimarães, para desenhar um evento que vai encher de orgulho quem cá nasceu e escolheu viver… e atrair milhares de pessoas à cidade que, mais do que vir para os concertos, o cinema ou as palestras, vêm viver Guimarães através dos olhos do MIMO — e sentir que a cidade é a grande protagonista desta edição — viva, aberta e em diálogo com o mundo.

O cartaz completo e o detalhe das dezenas de iniciativas que dão forma ao MIMO Guimarães 2026 começam agora a ser divulgados… Num ano em que Guimarães assinala também 25 anos da classificação do seu Centro Histórico como Património Mundial pela UNESCO. Para já, importa salientar que o MIMO coloca esta cidade nortenha na rota de outras cidades icónicas dos dois lados do Atlântico, onde o festival vem acontecendo ao longo de mais de duas décadas, como Olinda, Ouro Preto, Paraty, Rio de Janeiro ou São Paulo, no Brasil — muitas delas reconhecidas como Património Mundial —, e Amarante e Porto, em Portugal.

Destaques da Programação do MIMO Festival Guimarães

O MIMO Festival, Guimarães, que acontece de 3 a 5 de julho, vai apresentar uma programação musical que reúnirá artistas de mais de dez países e atravessará géneros, épocas e linguagens — da música clássica à música antiga, das expressões contemporâneas aos sons africanos e da diáspora, do pop à eletrónica. Ao longo de mais de 50 atividades, o festival propõe uma experiência imersiva em que uma parte significativa dos artistas se apresenta em Portugal em atuações exclusivas.

Entre os destaques, nomes incontornáveis da música global como Oumou Sangaré, uma das grandes vozes do Mali e referência da música africana contemporânea, Tricky, pioneiro do trip hop, e o encontro inédito entre Daddy G (Massive Attack) e Don Letts DJ Set, que cruza décadas de cultura sonora entre reggae, punk e eletrónica. Em destaque na cena portuguesa, Papillon afirma-se como uma das vozes mais relevantes da atualidade.

A programação integra também nomes fundamentais da música brasileira, como Fernanda Abreu, que celebra os 30 anos de Da Lata, um marco na renovação do pop brasileiro, e Alaíde Costa — ao lado de Cristóvão Bastos e Mauro Senise —, numa presença rara que atravessa gerações e se estende do cinema ao palco. A nova geração surge com artistas como Melly, uma das vozes mais marcantes do R&B contemporâneo, Zé Ibarra, em afirmação autoral, e Unsafe Space Garden, projeto emergente da cena portuguesa.

Em paralelo, a cultura DJ assume um lugar de destaque, com nomes como DJ Andy Smith, referência da cena britânica e ligado aos Portishead, e DJ Reborn, artista norte-americana e DJ oficial de Ms. Lauryn Hill, reconhecida pelas suas colagens sonoras que atravessam hip hop, soul e heranças afro-diaspóricas, ao lado de uma nova geração de DJs.

Entre os destaques, Barbatuques afirma-se como fenómeno global com Baianá, tema que se tornou viral à escala internacional e que será a trilha desta edição do MIMO, enquanto K.O.G, uma das vozes mais vibrantes da nova música africana, reinterpreta o highlife do Gana numa linguagem atual e altamente performativa.

Diversidade & Igualdade de género

O festival afirma ainda um compromisso com a diversidade e o equilíbrio de género, com uma presença expressiva de mulheres artistas em diferentes frentes da criação. Destacam-se projetos como o Coletivo Gira, coletivo sediado em Lisboa que afirma o samba como espaço de encontro e celebração, Aline Paes, que revisita o universo dos Afrosambas com uma abordagem contemporânea, as Batucadeiras das Olaias, que trazem a força do batuku cabo-verdiano como expressão de identidade e resistência, e Alzira E, figura central da vanguarda paulista, cuja trajetória atravessa mais de quatro décadas de criação.

A música instrumental e de matriz clássica assume um lugar de destaque nesta edição, com projetos de grande sofisticação artística, como a Accademia del Piacere, referência europeia na recriação dos repertórios dos séculos XVI e XVII, o pianista vimaranense Pedro Emanuel Pereira, e o encontro entre Bianca Gismonti e Manuel de Oliveira, que recebem Ricardo Ribeiro, uma das grandes vozes do fado contemporâneo, num diálogo entre Brasil e Portugal. Este eixo estende-se ao concerto de Rui Soares e da soprano Fabiana Magalhães, apresentado no órgão histórico da Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, reforçando a ligação entre música e património.

A programação inclui ainda o encontro entre La Litanie des Cimes e Mah Damba, uma das grandes vozes da tradição griot do Mali, num projeto de forte dimensão espiritual que cruza herança africana e criação contemporânea. Em diálogo com o território, a programação inclui projetos de forte enraizamento local, como o Coro Espontâneo e os Amigos das Concertinas de Guimarães, reforçando a ligação entre criação artística e património vivo.

Território e Comunidades

Em forte diálogo com o território, o festival integra igualmente projetos de forte enraizamento local, reforçando a ligação do festival ao território e às suas comunidades. Destaca-se o Coro Espontâneo, formação que nasce a partir do Coro En’Canto, sob direção da maestrina Marisa Oliveira, propondo uma experiência participativa que envolve o público na construção coletiva do canto. Soma-se a este eixo a presença dos Amigos das Concertinas de Guimarães, que celebram a tradição musical popular minhota, trazendo para o festival a energia das sonoridades tradicionais e da música de raiz. Estes projetos afirmam o MIMO como um espaço de encontro entre criação contemporânea e património vivo, onde a cultura local dialoga com expressões artísticas de diferentes geografias.

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