Doces Conventuais? Essa é uma ideia peregrina!

Lérias, brisas do Tâmega, foguetes, papos d’anjo, são doces conventuais? Isto é: nasceram na clausura das irmãs clarissas, por detrás dos muros do Convento de Santa Clara? Hélio Loureiro garante que não.

Lérias, brisas do Tâmega, foguetes, papos d’anjo… É verdade, fazem parte da iconografia de Amarante, podem ser adquiridos em qualquer confeitaria da cidade (também há padarias a fazê-los) e são tidos como doces conventuais. Isto é, nascidos num convento, neste caso no de Santa Clara, de receitas exclusivas, que (há várias histórias) fugas de informação terão trazido para o domínio público, ou foram lidas, em surdina, ao ouvido de comerciantes da terra.

Hélio Loureiro

“Essa é uma ideia peregrina”, considera, convicto, Hélio Loureiro, gastrónomo, chef e investigador, para quem os doces de Amarante, que ele chama de tradicionais, nada têm de conventuais; nasceram na comunidade, construindo, aos poucos, a tradição doceira de Amarante, desde o século XIX muita apreciada pela burguesia da Foz, no Porto, e a mais significativa de Entre-Douro e Minho.

E explica: “A ideia do paraíso é uma ideia doce. O Salmo 33, que está mal traduzido, diz: “saboreai e vêde como o Senhor é bom”. Mas, em latim, diz: “saboreai e vêde como o senhor é doce”!  As Sagradas Escrituras falam da “terra do leite e do mel”. Esta associação ao paraíso, ao bom, que é sempre doce, levou as pessoas a acreditarem que dentro dos conventos e mosteiros tudo era doce. E daí a ideia de que os doces são conventuais”.

Saiba mais. Leia, na íntegra, a entrevista que fizemos a Hélio Loureiro e que publicamos na edição “Inverno 2024” (em papel) de AMARANTE MAGAZINE. Procure a nossa revista numa papelaria ou quiosque perto de si ou no Intermarché de Amarante.

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