Paula Freitas: “a macrobiótica fez-me renascer”

Paula Freitas (Foto LF).

Paula Freitas tem, hoje, 61 anos e diz-se uma mulher feliz. Atribuí essa felicidade, em grande parte, à macrobiótica, um misto de estilo de vida e dieta alimentar, que adotou depois de ter lutado vários anos contra um cancro. Mas já lá vamos.

Em 2015, Paula apercebeu-se de gânglios no pescoço, que, rapidamente, passaram a espalhar-se pelo corpo. Não tardou que começasse a sentir-se fraca, cansada, com perda de capacidades e sem vontade de trabalhar, ao que se seguiu tosse seca persistente e muitas dificuldades em respirar.

Formada em optometria, Paula Freitas tinha, à data, uma loja de ótica no centro histórico de Amarante, um negócio a que deu seguimento após a morte do pai, Artur Freitas, em 1995.

A frequentar sessões de Reiki, Paula foi, um dia, no final de uma sessão, confrontada por uma amiga sobre o seu estado de saúde. A amiga terá considerado que não estaria bem e aconselhou-a a consultar rapidamente um médico. Recorreu a um hospital privado da cidade, onde lhe foi prescrito um raio X aos pulmões, tendo, com base no resultado, sido encaminhada para um hospital público da região.

Ao fim de um mês de internamento naquela unidade de saúde, onde diz ter sido “muito maltratada” (“obrigaram-me a estar uma semana deitada, sem me mexer, e quando quis levantar-me tinha perdido toda a massa muscular, pelo que passei a andar em cadeira de rodas”, refere), Paula foi mandada para o Instituto de Oncologia do Porto (IPO), com muitos exames feitos, mas, segundo diz, todos inconclusivos.

No IPO, após outros exames, foi-lhe diagnosticado um linfoma, um cancro do sistema linfático, no seu caso um “Linfoma não Hodgkin”, assim chamado por as células de origem serem os próprios linfócitos.

À deteção do cancro, seguiram-se oito sessões de quimioterapia, que se prolongaram por meio ano, com perda total do cabelo logo à segunda. Manteve a sua loja de ótica, mas durante os tratamentos nunca lá foi, por questões que tinham a ver com a sua baixa imunidade. 

O negócio era, então, acompanhado pela filha, Alexandra, que havia deixado de estudar para cuidar da mãe, que, além de se deslocar em cadeira de rodas, estava dependente de uma garrafa de oxigénio que transportava sempre consigo.

As sessões de quimioterapia a que Paula foi submetida durante meio ano não lhe trouxeram a cura do cancro, que voltaria a manifestar-se em 2017, obrigando-a, então, a um autotransplante.

“Fiz um ‘reset’ completo ao meu corpo, de tal maneira que tive de repetir a vacinação que havia feito em criança”, ilustra Paula Freitas.

O “milagre” da macrobiótica

Feito o autotransplante, Paula Freitas ficou, segundo contou a AMARANTE MAGAZINE (AM), durante tempos, num estado de enorme fraqueza. Pesava entre 45 e 47 quilos e de tal maneira estava magra que, um dia, tendo ganhado coragem para se ver ao espelho, sentiu “um choque terrível: a imagem que o espelho me devolveu era de uma mulher que parecia ter vivido o holocausto, magríssima, a caminho da morte”, contou.

Por essa altura, Paula constatara que o seu corpo havia rejeitado a carne, dizendo-se “enjoada só de a olhar”, e começou a substituí-la por outras proteínas, tal como aconselha a dieta macrobiótica.

A área não lhe era de todo estranha, pois tinha uma tia que seguia os princípios daquele regime alimentar, e ela própria havia, por volta de 2005, aberto uma loja, em sociedade com a mãe e com a irmã, designada “Espigueiro”, no edifício Carvalhido, onde eram vendidos produtos relacionados com a macrobiótica. “Fechámos ao fim de algum tempo, pois tudo aquilo a que não se dá atenção, acaba”, diz.

Pensando que a macrobiótica poderia ajudar à sua recuperação, Paula procurou aconselhamento especializado. Da consulta a que foi, trouxe informação sobre o que poderia e não deveria comer e, bem definidas, as ementas diárias. “Comprei os produtos que me foram indicados e vim para casa estudar o dossiê que me foi entregue”, recorda.

­“A minha alimentação passou a ser feita à base de leguminosas e de cereais, sobretudo arroz e millet (milho painço) e de vegetais cozinhados. As dietas macrobióticas começaram a resultar, fui-me sentindo melhor e passei a fazer fisioterapia em casa, para conseguir ganhar massa muscular. Não deixei logo a cadeira de rodas, mas fui recuperando, num processo lento e longo”, lembra.

Hoje, Paula Freitas pesa 64 quilos e atribui, na sua recuperação, grande importância à macrobiótica, que diz ter sido essencial na evolução do seu estado de saúde. “Fez-me renascer. Além da recuperação física, deu-se em mim uma enorme transformação emocional e espiritual. Hoje, estou no caminho do autoconhecimento que me traz muita paz e felicidade”, acrescenta.

Da experiência pessoal à loja Goji

O processo de recuperação de Paula, como ela refere, “de completamente dependente, com perda total de cabelo, sem qualquer autonomia, a pesar 47 quilos, para o que é hoje, gerou curiosidade” nos seus amigos e conhecidos que, amiúde, a questionavam.

Durante os tempos da pandemia, resolveu fazer workshops online, na sua página do Facebook. Perante as adesões e o interesse que aqueles eventos suscitaram, em dezembro do ano passado decidiu criar a sua própria loja de produtos naturais e outros, específicos da macrobiótica (a GOJI), na avenida 25 de abril, continuando a esclarecer quem a procura, sobretudo com base na sua experiência. Em paralelo, faz formação em Espanha sobre macrobiótica, para, num futuro breve, estar habilitada a fazer aconselhamento.

Sobre a adesão das pessoas que a contactam à macrobiótica, Paula diz que não tem sido fácil. “Manifestam muita curiosidade e, mesmo reconhecendo os seus benefícios, custa-lhes dar o passo seguinte. Há medo em mudar”, diz.

Depois, reconhece que “há estereótipos que é difícil contrariar e que transportamos desde crianças: temos que comer um bife e arroz para estarmos bem. As pessoas acham que ficarão fraquinhas se não comerem carne, por exemplo. Pensam que deixarão de ser saudáveis se o fizerem. E não é verdade”.

Por isso, Paula aposta na mudança de mentalidades. “Neste momento, o meu foco é a macrobiótica como estilo de vida e a minha preocupação é ajudar pessoas que estejam disponíveis para se deixarem ajudar”, conclui.

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