Um Homem generoso e de bem

Mota e Costa (Foto AM).

(Ivone Ferreira iniciou, na televisão portuguesa, os programas da manhã, tendo apresentado, durante oito anos, o “Às Dez”, no canal 1 da RTP; fez o “Acontece” com Carlos Pinto Coelho, na RTP 2, sendo, mais tarde, repórter e pivot do “24 Horas” da RTP 1. Apresentou várias edições do Festival do Canção do Tâmega, a convite de Mota e Costa)

De Mota e Costa poderia referir a sua dedicação à música, realçar as suas qualidades de compositor ou de maestro. Mas a imagem que guardo na minha memória é a de um homem resiliente, convicto e determinado em concretizar o sonho de realizar o Festival da Canção do Tâmega.

Recordo a sua figura (imponente) a entrar na RTP Porto, para reuniões em que sabia que precisava de travar batalhas duras, que levassem os decisores da que era a única estação de televisão do País, a decidir favoravelmente à transmissão do “seu” Festival, em direto ou em diferido.

Nunca desistiu, nunca cedeu e sempre levou de vencida as dúvidas e obstáculos que eram levantadas.

Mota e Costa foi uma figura de relevo, desde sempre, na sua região, mas um exemplo para um País inteiro que se deveria rever em personalidades fortes e coerentes, com padrões de comportamento pessoal e profissional dignos de registo e elogio, independentemente do seu local de nascimento ou do contexto de vida.

Mota e Costa mostrou que, seja onde for, com quem for, a luta por um objetivo, a certeza do que se deseja, é o caminho da concretização e do sucesso.

Aquele menino nascido na freguesia amarantina de Gondar que, com apenas 9 anos, despertou para a Música, foi crescendo e a Música acompanhou esse crescimento, criando nele o desejo de ir para além da Tuna de Gondar e dando-lhe ânimo para criar várias escolas de música e dirigir grupos corais e orfeões. Também divulgou e defendeu o folclore e o teatro. Mas foi o seu respeito, amor e dedicação à música popular portuguesa que o levou a criar e manter aquele que é, ainda hoje, considerado o maior festival português de música ligeira, o Festival da Canção do Tâmega.

Tive o gosto e a honra de apresentar esse Festival, enquanto profissional da RTP, e ao lado do meu colega e amigo Nicolau Ribeiro e de outros que, tal como eu, se reviam no desejo de afirmar a música genuinamente portuguesa não só em Portugal, mas no Mundo. E nada melhor do que a RTP para o fazer. Era essa também a convicção de Mota e Costa. O leader e criador com presença constante ao longo de todo o evento. Sempre atento para que nada faltasse, transmitindo apoio e força. Era um gosto observar a alegria que se espelhava nos seus olhos, assim que entravam na casa de todos os portugueses, as primeiras imagens do seu Rio Tâmega e da terra que amava e que enquadravam a emissão de cada Festival.

Era o dever cumprido, era a batalha mais uma vez ganha, era a vitória que chegava com a certeza de que, no ano seguinte, tudo recomeçaria, mas tudo continuaria a valer a pena.

Atrevo-me a citar Beethoven ao afirmar que Milhares de pessoas cultivam a música; poucas, porém, têm a revelação dessa grande arte”. Manuel do Carmo da Mota e Costa teve, com certeza, essa revelação. 

É bom, é importante, recordar a pessoa, a personalidade, o seu percurso de vida, porque assim se recorda um Homem de Bem.

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