Diana trouxe Amadeo para a moda

No ano em que se evoca o centenário da morte de Amadeo de Souza-Cardoso, uma jovem empresária de Amarante, Diana Monteiro, 28 anos, lançou uma linha de roupa inspirada na obra do pintor. O objetivo não foi tanto assinalar a efeméride, mas, sim, cumprir a missão da sua marca (DIWIA), que aponta para a criação de peças “com um design inovador, inspirado na cultura portuguesa, ou através da utilização de matérias-primas típicas do nosso país”.

Ou seja, fazer diferente. Numa altura em que, em muitos casos, a tendência parece ser a normalização, Diana ousou e pôs no mercado a sua coleção Primavera/Verão de peças exclusivas, criadas por si e baseadas em obras de Amadeo: “Menina dos Cravos”, de 1913 e um quadro sem título de 1917, vestindo senhoras das mais diferentes latitudes, já que a DIWIA, para além de uma loja física, em Amarante, tem também a sua própria loja online, usando ainda o Facebook e o Instagram para fins promocionais e receção de encomendas. “Fazedora”, como já foi designada, Diana é também modelo das suas próprias peças e tem a colaboração de uma amiga, Cláudia Lucas, que concebe os acessórios.

Para a estação Outono/Inverno, o mote continua a vir de Amadeo, tendo Diana escolhido três quadros: o desenho número 13, dos “XX Designs de Amadeo”; “Trou de la serrure”, de  1916  e “Le Prince et la mêute”, de 1912. No primeiro caso, a criadora justifica a opção pelo facto de “o preto e branco ser uma conjugação procurada pela sua fácil combinação com outras cores”, mas também “pela feminilidade presente no quadro, que retrata uma mulher elegante em cima de um cavalo”, resultando desta escolha “um padrão único e marcante”, sublinha Diana.

Sobre os outros dois, explica que no decorrer do estudo das diferentes obras, optou por duas com cores da estação: vermelho e verde. Daí a escolha da obra “Trou de la serrure”, pelo padrão marcante e tão característico do pintor, que conjuga vermelho, azulão e amarelo; e, num outro sentido, “Le prince et la mêute” que, além de conter as cores desejadas por Diana (verde, bege e amarelo torrado) destaca um cavalo elegante que faz a ligação ao desenho 13.

Da formação em saúde para o vestuário

Diana é licenciada em Reabilitação Motora, mas trabalhou pouco tempo naquela área. O vencimento que auferia quase não dava para pagar as despesas e, por isso, tentou outras vias: deu explicações, tirou o curso de formadora e decidiu abrir uma loja no Facebook. “Comprava na Internet e revendia. Não tinha stocks, só comprava depois de os clientes confirmarem a encomenda”, explica.

Cedo, porém, Diana percebeu que no Facebook havia várias outras lojas como a sua, com uma oferta idêntica, pelo que o caminho, pensou, seria ter peças exclusivas, feitas por si. Mas como? Dominando bem os caminhos da Internet, Diana fez parte da sua “formação” no Youtube, onde, contou a AM, aprendeu a pregar botões e coser fachos, por exemplo; leu livros de modelagem e frequentou um workshop.

“Em breve, recorda, estava a produzir quimonos e tops. Fazia tamanhos S, os mais vendáveis, e aceitava encomendas para outros números. Com os tamanhos S corria menos riscos e, se por acaso não vendesse, ficava com as peças para mim”.

Atenta às oportunidades que iam surgindo, Diana frequentou a ação “Acelera o teu Negócio”, promovida pelo IET (Instituto Empresarial do Tâmega), onde aprendeu, designadamente, a fazer um “pitch” (uma apresentação breve e enfática de um negócio, usada, geralmente, pelas startups para captar investimento), estudou técnicas de comunicação e construiu um Plano de Negócios, que já contemplava a criação de vestuário inspirado na cultura portuguesa.

Com esse Plano de Negócios, candidatou-se ao “Empreende Já”, gerido pelo Instituto Português do Desporto e da Juventude (IPDJ), sendo apoiada com dez mil euros para desenvolvimento da sua ideia de negócio, associado à marca DIWIA, que já havia criado. Entretanto, deixou a box que havia alugado no IET e criou o seu próprio Showroom, na cidade, na rua Francisco Sá Carneiro, onde tem disponível a coleção outono-inverno inspirada em obras de Amadeo de Souza-Cardoso.

Mas não só. Como explicou Diana, para além da coleção Amadeo, a sua marca oferece também  uma coleção de roupa de cerimónia, uma para o dia-a-dia, tendo neste momento em preparação uma outra a pensar exclusivamente na Passagem de Ano. A aposta na cultura portuguesa vai manter-se no próximo ano e a inspiração de Diana tanto pode vir da calçada à portuguesa como da azulejaria ou, quem sabe, de Pascoaes. 

Com uma grande aposta nas redes sociais, Diana crê que os seus principais canais de venda continuarão a ser o Facebook e o Instagram, que complementa com duas lojas: uma física e outra online (www.diwia.pt).

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