Comunidade participa na edificação de Roteiro Literário de Teixeira de Pascoaes

(Foto Stay to Talk)

A 14 de dezembro de 2021, pelas ruas da “terra do poeta”, como lhe chamavam as pessoas dos concelhos limítrofes e arredores que chegavam ao centro da cidade de Amarante, voltou-se a ouvir o nome “Dr. Joaquim” ou Joaquim Pereira Teixeira de Vasconcelos, nome de uma pessoa tão acarinhada pelos amarantinos. Por um lado e em coletivo, recordou-se o Dr. Joaquim como o amigo, o cliente, o tio, o irmão ou apenas o conhecido, e, por outro, foi de forma particular que se deu continuidade ao poeta Teixeira de Pascoaes relembrando os seus hábitos, as suas reflexões, temáticas e a sua obra através das palavras que deixou escritas. Como ele próprio dizia “existir não é pensar: é ser lembrado” e para nós foi muito simples relembrar o poeta, bastou emprestar a nossa voz para que a palavra se soltasse do papel e voltasse a soar entre o frenesim das ruas da cidade.

Tratou-se de uma iniciativa do Instituto de Imersão Cultural (Stay to Talk) que tem como propósito trabalhar a cultura local com a comunidade, no sentido de a investigar, de recolher evidencias da sua identidade e, com os locais, mostrar e colocar à experiência essa mesma cultura em eventos e diversas visitas originais e diferenciadoras, proporcionando verdadeiras Experiências de Imersão Cultural a quem decide visitar a cidade e as suas gentes.

Comunidade de Amarante participa na definição de Roteiro Literário de Pascoaes (Foto Stay To Talk).

Desta vez a personalidade em destaque foi Teixeira de Pascoaes o grande poeta português que, quer por palavras, quer por opções em determinadas fases da sua vida decidiu ser, assumidamente, amarantino. Sendo uma das personalidades que integra os seis roteiros da ROTA DOS ARTISTAS (3 pintores e 3 escritores) deste Instituto, tornou-se fundamental desenhar um roteiro literário com a cidade de Amarante. Aquela cidade, na altura ainda vila, que acolheu o poeta à nascença, que o acompanhou na infância, na vida escolar e que, mais tarde em fase adulta, foi palco não só da sua convivência com familiares e amigos, assim como, testemunhou a produção dos seus escritos devidamente acompanhado pelo “precioso veneno tão negro” (Um passeio, 1942) no espaço do café central da vila.

Neste dia, a execução do Roteiro Literário de Teixeira de Pascoaes – “Os montes da minha aldeia” foi a concretização de um projeto piloto, que se fundamentou em investigação, na recolha de histórias e testemunhos da família, de investigadores e de admiradores. Através de dinâmicas participativas, este roteiro literário foi concretizado e experimentado pela comunidade amarantina, entre elas, pessoas individuais, negócios locais, entidades e instituições da cidade. A realização acabou também por ser aberta à comunidade para que, todos e sem exceção, pudessem partilhar connosco o seu saber. Foi, seguramente, uma manhã rica em partilha comunitária.

Trata-se de um Roteiro Literário que não tem pretensão alguma em produzir comentários à obra ou ao escritor, limita-se apenas dar vez e voz às palavras do autor em lugares estratégicos da cidade, entre outros, lugares de vivência e de inspiração do poeta.

Através deste roteiro, estamos seguros de que o futuro VISITANTE, pelas palavras dos amarantinos, ficará a (1) conhecer o centro da cidade, (2) alguns pormenores históricos e (3) acabará por ser introduzido à vida e obra do principal pensador do saudosismo.

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