Fake News: preparemo-nos! A tendência é de crescimento

Primeiro: o que são fake news? O termo é inglês e traduzida à letra a locução significa notícia falsa. São cada vez mais as notícias falsas que circulam na internet. E isso deve importar-nos? Ora bem, à partida, não, porque se uma notícia é falsa é, também, inválida. Mas não é bem assim. As fake news importam, e muito, a partir do momento em que, sozinhas a circular na rede, têm a capacidade de interferir negativamente em vários setores da sociedade, como política, saúde e/ ou segurança.

Não é de hoje que uma mentira quando quer vingar é divulgada como verdade, no entanto, com o advento da internet e o consequente crescimento do volume de informação a circular, sobretudo nas redes sociais, este tipo de publicações popularizou-se.

Os motivos que regem o lançamento de mentiras na internet são diversos: em alguns casos os autores criam títulos sensacionalistas e absurdos, que suscitam curiosidade, com o claro intuito de atrair acessos a páginas web carregadas de publicidade. Noutros casos, para além da finalidade puramente comercial, as fake news podem ser usadas apenas para criar boatos que reforçam pensamentos e crenças. Alguns, por meio da disseminação do ódio. Dessa maneira, prejudicam-se pessoas comuns, celebridades, políticos e empresas.

É isso o que acontece, por exemplo, durante períodos eleitorais, nos quais empresas especializadas criam boatos, que são disseminados em grande escala na rede, alcançando milhões de utilizadores.

A política é, eventualmente, a área onde as fake news mais possam ter vindo a ter influência até ao momento. As notícias falsas destacaram-se nos últimos dois anos com as eleições nos Estados Unidos ou, mais recentemente, com as presidenciais no Brasil. Parecia impossível Donald Trump tornar-se presidente dos Estados Unidos, mas o que é certo é que foi mesmo isso que acabou por acontecer. No Brasil o mesmo sucedeu com a eleição de Jair Bolsonaro. O mundo ficou incrédulo.

Uma das formas de manipular a informação é através das imagens. Quem não se recorda de ver na internet várias imagens onde Bolsonaro aparece em comícios rodeado de milhares de pessoas quando, na realidade, eram apenas umas centenas. Quem fala em imagens, fala em conteúdo.

Na época em que o atual presidente dos Estados Unidos foi eleito, algumas empresas especializadas identificaram uma série de sites com conteúdo duvidoso. A maioria das notícias divulgadas por esses sites explorava conteúdos sensacionalistas, envolvendo, em alguns casos, personalidades importantes, como a adversária de Trump, Hillary Clinton. Em todos eles as notícias falsas manchavam a reputação de Clinton. O Departamento de Justiça Americano chegou mesmo a garantir que as informações falsas sobre a candidata influenciaram as eleições. E não há muito que possamos fazer: são cada vez mais os grupos que se dedicam a este tipo de atividade em exclusivo e não é fácil encontrar as empresas que atuam neste segmento porque o fazem de forma “secreta”, ou seja, alojam-se numa parte da rede que não é indexada aos mecanismos de busca e, por isso, ficam ocultas ao grande público.

Em Portugal, a Assembleia da República, preocupada, e por impulso da Esquerda, prepara caminho no sentido de combater a desinformação, mas as previsões para o futuro não são animadoras: as notícias falsas devem começar a ganhar terreno nas redes sociais em Portugal, a pouco menos de um ano das próximas legislativas. O aviso é feito a partir do Observatório da Comunicação, que considera que as mentiras que circulam online, como ataque político, vão fazer parte do nosso quotidiano, sem se saber ainda se, de alguma forma, vão beneficiar alguns dos candidatos.

O que é para já certo é que as fake news são cada vez mais uma pedra no sapato da sociedade e da política. O cidadão deve fazer o seu trabalho: confiar em sites e empresas credíveis; desconfiar de títulos populistas; priorizar o papel; procurar conhecer o contexto geral e não apenas uma parte; opinar na rede quando, apenas e só, a opinião for sustentada, construída ou baseada em factos e acontecimentos efetivamente reais. Por uma sociedade democrática, crítica e saudável.

CONTINUAR A LER

Deixe um Comentário

Pode Também Gostar