Núcleo Feminista de Amarante: “o feminismo é a ideia radical de que as mulheres são gente”

“Enquanto núcleo, o que nos une é a luta pela igualdade, pelo fim do machismo e dos preconceitos que se fazem sentir em todos os espaços da nossa cidade”, dizem. O NFA, formado este ano, conta com atividades diversas. Na sua página no Facebook tem, atualmente, uma campanha de recolha de comentários e experiências machistas.

Em 2019, um grupo de mulheres de Amarante decidiu juntar-se à plataforma nacional Rede 8M. Esta rede juntou associações feministas e ativistas na construção de uma greve de mulheres no dia 8 de março. Juntas reivindicamos direitos iguais, uma valorização do trabalho doméstico e o fim da violência de género. Fizemos reuniões abertas em cafés, organizamos oficinas de cartazes, ocupamos a Gatilho com uma “festa das galdérias”. Invadimos a cidade com a igualdade e fizemos outros pensar que é possível construir um mundo onde as mulheres têm direitos, liberdades e tratamentos dignos e iguais. Foi com esse mote que decidimos criar um núcleo feminista em Amarante. 

“O feminismo é a ideia radical de que as mulheres são gente”, lemos muitas vezes em cartazes, em manifestações de mulheres. Mas se as mulheres são gente porque é que continuam a ganhar, em média, menos 16,7% do que os homens; porque é que continuam a exercer trabalhos mais precários e a carregar nos ombros o trabalho doméstico? 

Este ano, a pandemia veio acentuar as desigualdades sociais que já eram flagrantes na nossa comunidade. O trabalho dos cuidados, o trabalho emocional e a responsabilidade dos filhos recaem, quase sempre, sobre as mulheres. Imaginem, agora, conciliar a atividade em teletrabalho 8h por dia, cuidar de três filhos que deixaram de poder ir às aulas presencialmente e lidar com todos os trabalhos em casa. É cansativo, injusto e não pode continuar assim.

No ano passado, foram assassinadas 30 mulheres, 16 em contexto de relações de intimidade. Foram mortas às mãos dos maridos, dos companheiros abusivos; foram mortas simplesmente porque eram mulheres. 

Todas as violências contra as mulheres são injustas e não têm lugar numa sociedade e cidade que se quer livre, plural e para todos. O feminismo é a ideia radical de que somos gente; que temos o direito a ter direitos; é a mudança de paradigma, por outro que se recusa a perpetuar todas as desigualdades.

Um núcleo feminista de Amarante é urgente na nossa cidade, porque estamos fartas de preconceitos nas nossas vidas.  Queremos pôr fim à conceção que encara as mulheres como rivais e, para isso, propomos reuniões onde partilhamos experiências que procuram unificar e, acima de tudo, fortalecer uma luta que é de todas. Encaramos que a luta pela igualdade das mulheres deve ser entendida como uma luta que cruza as necessidades das pessoas que trabalham, das mulheres negras, das mulheres trans, das mulheres com deficiência, das mulheres com diferentes orientações sexuais e étnias.

Somos mulheres de várias idades, com diferentes profissões e situações socioeconómicas, e acreditamos que esta diversidade é importante em prol da nossa ação. Enquanto núcleo, o que nos une é a luta pela igualdade, pelo fim do machismo e dos preconceitos que se fazem sentir em todos os espaços da nossa cidade.

Se houver interesse na nossa causa, podem encontrar-nos tanto no instagram como no facebook, ou através do e-mail (nucleofeministamarante@outlook.com). Contudo, acreditamos que a luta deve estar também presente nas ruas de Amarante, quando os tempos assim o permitirem. E se, porventura, existir interesse em juntarem-se a nós e à nossa causa, basta falarem connosco para que se tornem ativas nas nossas iniciativas. 

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