Sabia que… o Mosteiro de Gondar em tempos era um galinheiro

Foto AM

“(…) É esta diversidade de vivências, de saberes fazer, de perspetivas de análise e partilhas emotivas que os lugares, as paredes de um edifício, uma folha de papel ou fotografia toma significado e que neste “laboratório” é registado como o património local repleto de histórias e emoções e preparado para ser transmitido pelos ‘mediadores culturais de sítio”’.

No dia 17 de junho aconteceu em Gondar mais uma Oficina Colaborativa – Memória Viva promovida pela Junta de Freguesia de Gondar, um território atento ao que é seu, às suas raízes, ao património da sua terra e ao valor das suas gentes. Foram repescados os contactos recolhidos no Sarau Comunitário que aconteceu nesta freguesia a 27 de agosto de 2022 com uma tão merecida homenagem ao Sr. Mota e Costa e iniciamos a organização deste encontro entre o património edificado e as verdadeiras Pessoas Património (PP) como tão, carinhosamente, o Stay to Talk Instituto as designa. 

Nesta oficina percebemos que todos nós somos o resultado da época em que vivemos, tudo o que acontece nessa época molda a nossa existência, a história, a política, a situação financeira da nossa família ou do nosso país, entre outras, as oportunidades que temos ou que nos são oferecidas. É essa experiência de vida com os lugares e as pessoas que nele vivem que nos faz únicos apesar de vivermos num território comum e de usufruirmos de um mesmo património. 

É esta diversidade de vivências, de saberes fazer, de perspetivas de análise e partilhas emotivas que os lugares, as paredes de um edifício, uma folha de papel ou fotografia toma significado e que neste “laboratório” é registado como o património local repleto de histórias e emoções e preparado para ser transmitido pelos “mediadores culturais de sítio”.

Presenciar estas “oficinas colaborativas – memória viva” é como se viajássemos no tempo, sempre orientados pelos fios que nos ligam aos lugares da freguesia, para não nos perdermos, e que nos permitem perceber, entre muitos outros exemplos, que as paredes do Mosteiro de Gondar em tempos acolheu vidas e vivencias, que acolheu um galinheiro, que sofreu obras que acabaram por ser obstáculo a um casamento, facto que ainda hoje é falado entre o casal pois a sua união não foi legitimada por uma igreja pois casaram no salão ao lado, ou por outro lado, este mesmo mosteiro abençoou, mais tarde, casamentos entre rapazes e raparigas gondarenses que por ventura chamaram à freguesia outros tantos rapazes e raparigas das terras da periferia.

Como dizia o participante mais experiente desta oficina (93 anos de idade), depois de estar à vontade na partilha, “estes momentos são oportunidades para fazer justiça aos nossos”, pois falámos de homens e mulheres que pela necessidade e/ou circunstância da vida tomaram decisões que fizeram toda a diferença não só na vida das pessoas, mas também no desenvolvimento do território.

Por mais que tentemos aprisionar o presente entre as nossas mãos, ele escapa-nos entre os dedos a alta velocidade, distraídos com tudo o que a tecnologia nos proporciona, desde a necessidade de criar conteúdos que alimenta as redes sociais, da moda que se instalou dos espetáculos locais e dos festivais, urge o tempo e torna-se fundamental abrandar, pois como diz a canção “vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar”, que tudo é efémero, a memória é curta e se não for registada tende a desaparecer com quem as viveu.

As oficinas colaborativas, para além da viagem no tempo que proporcionam, promovem uma análise do ponto de situação que se encontra o património da terra, permite o registo que as “pessoas PP” fazem questão de partilhar, entre outras, que nos deixam o seu legado e que neste caso, legitimam o orgulho em sermos gondarenses, amarantinos, em suma, em sermos portugueses.

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