Turismo pós-pandemia: experiências de Imersão Cultural recomendadas para a sua saúde

O Ateliê de Amadeo de Souza-Cardoso integra o percurso da "Rota dos Artistas".

Aceitar escrever sobre turismo em plena época pandémica Covid-19 é para nós um enorme desafio. No entanto, como nos agradam os bons desafios, decidimos aceitar, mas sempre na senda de reportamos à nossa experiência, aos nossos conhecimentos, às nossas temáticas, às nossas preocupações e ao propósito da nossa ação, no qual temos vindo a investir desde 2018, aquando à constituição do STAY TO TALK-Instituto de Imersão Cultural.

Já em 2018 o Stay to Talk defendia diferentes respostas de fazer turismo, formas alternativas ao turismo de massas, formas mais sustentáveis de viajar, mais justas ao serem implementadas, constituídas em rede e das quais todos tirassem partido. Desde essa altura, temos vindo apresentar respostas turísticas sustentáveis onde propomos um turismo idiomático e cultural, que lhe permite aprender o idioma enquanto visita um lugar, e implementado de base comunitária. No fundo, o visitante poderá ter uma experiência de aprendizagem em modo de imersão cultural, valorizando as pessoas locais e instigando dinâmicas sociais na região, contribuindo assim, para o desenvolvimento económico-social local.

Aquando desta crise pandémica vimos as nossas atividades turísticas congelarem e, várias vezes, repensamos os nossos produtos. Mas não foram apenas os agentes do sector do turismo a repensar a sua ação, constatamos que o próprio consumidor destes produtos sofreu alterações e encontra-se diferente, ou seja, mais exigente e sensível. Com esta panóplia de situações sociais e profissionais novas, nomeadamente, a fadiga pandémica, o teletrabalho, telescola, as constantes reuniões online, entre outros, a necessidade de cumprir a distancia de segurança, segundo o barómetro do Turismo do IPDT (Ed.63, 2021) identificou certas tendências no turismo que vieram para ficar, nomeadamente, um decréscimo na realização de viagens de negócio, mas em contrapartida, um aumento da procura por lugares com menor concentração de pessoas, assim como, um aumento na procura por destinos de natureza, retiros e bem-estar. 

A importância da Imersão Cultural

Após estas duas temporadas de confinamento, a que fomos sujeitos em Portugal, acrescentaríamos aqui uma área que para nós faz todo o sentido e é já conhecida pelo termo anglo-saxónico “wellness”, cuja expressão se refere a um conceito amplo de bem-estar. Uma área a que nós relacionamos com a neurociência, trabalhada aqui numa postura de prevenção a doenças do foro psicológico e de bem-estar geral. Referimo-nos, especificamente, à necessidade que todos temos, independentemente da idade, de estimular o nosso cérebro. Para além do exercício físico, segundo alguns neurocientistas, é fundamental confrontar, permanentemente, o nosso cérebro com situações novas de aprendizagem para estimular o crescimento de novas células e sinapses, contribuindo para a saúde e juventude da nossa mente. Neste caso, falamos das Experiências de Imersão Cultural que poderão ser realizadas aquando de uma visita turística que contribua para a sua saúde.

No que refere à viagem/visita que faz com o propósito de conhecer um lugar dizer-lhe que não podemos afirmar que ficamos a conhecer um lugar, se durante a nossa viagem nos limitamos a ficar e usufruir do bem-estar do hotel em que pernoitamos. Para conhecer um lugar é necessário muito mais, é sair, experienciar, sentir o lugar, interagir com as pessoas, com seus modos de vida, imergir na sua cultura. Sim porque, se não conhecemos as pessoas não conhecemos os lugares. Por exemplo, não podemos dizer que conhecemos África, se nas viagens que realizamos, simplesmente, fazemos o percurso do aeroporto-hotel e hotel-aeroporto e não colocamos os pés na areia da praia, não sentimos o cheiro da terra molhada após uma chuva tropical, não provamos uma manga colhida da árvore, um bom prato de calulu ou, simplesmente, não comunicamos com gentes locais, mesmo que seja apenas para regatear o preço de uma peça de artesanato num mercado local. Procure os lugares, as pessoas, as histórias, os produtos, os modos de saber-fazer e experiencie, para mas tarde recordar com emoção.

No que refere à sua mente, dizer-lhe que, segundo o neuroeconomista Paul Zac a imersão é um estado neurológico produzido quando alguém está atento a uma experiência e é gerada ressonância emocional*. A imersão é quando nos arrepiamos quando ouvimos uma boa história contada por alguém, quando choramos no final de um filme ou no final da leitura de um bom livro, mesmo sabendo que o enredo, as personagens e os contextos são fictícios. Ora quando visitamos algum lugar e regressámos a casa com vontade de partilhar essa experiência com alguém é porque realmente constituímos uma relação de afetividade com o local e as suas gentes e, de acordo com o grau dessa afetividade, podemos mesmo recordar essa situação para toda a vida. Não é por acaso que ouvimos dizer, “foi a viagem da minha vida” e acabam por nos contar os pormenores.

Sabendo que a investigação deste autor, aconteceu no âmbito da formação e aprendizagem, podemos adequar seus resultados à área do turismo de aprendizagem e/ou pedagógico pois é necessário, de qualquer das formas, captar a atenção dos públicos-alvo no sentido, de que este valorize a experiência e entender que experiencias emocionalmente ressonantes levam a rápidas mudanças de comportamento, de interação e são recordadas mais facilmente semanas ou meses depois. 

Em nosso entender, cabe-nos a nós desenhar experiências desafiadoras e aos nossos mediadores culturais (aqueles que facilitam a experiência) ativar os seus sentidos contando-lhes boas histórias, apresentando-lhes as pessoas e os lugares certos proporcionando assim uma verdadeira experiência de imersão cultural. Conhecemos a região e temos a certeza de que esta está repleta de excecional património, de fantásticas pessoas e de boas histórias para contar, cabe-nos o papel de ativadores de emoções que o ajudarão a relembrar a sua estadia por cá. 

“Wellness”: férias e experiências com bem-estar

Caro leitor, chegado a este ponto na leitura deste artigo, deve estar a perguntar: Será possível estar de férias com os meus e, ao mesmo tempo, aprender e cuidar da minha saúde? Como é que tudo isto será possível numa simples visita à região? Pois então, imagine o seguinte cenário:

De pés descalços na relva, de pincel na mão e perante a tela branca, os pensamentos dispersaram-se-lhe. Cansada do teletrabalho, das rotinas impostas, das constantes tomadas de decisão, das diárias adaptações aquando do confinamento, a colorida paleta que tem na outra mão nada lhe sugere. A brisa que lhe refresca o rosto e lhe acaricia o cabelo como lhe dizendo olá, o sussurrar da água que corre no rio e o chilrear dos pássaros absorvem a atenção do seu inconsciente, e o corpo esse continua apático ligado por fio terra à grande força da Natureza.De repente, um grito, um splach e um pincel que rola no chão e o coração de mãe desperta num impacto natural para saber o que se passa com sua família. 

Nada, não se passa nada. Ou melhor passa-se tudo, toda a família de férias, finalmente, cada um a fazer o que mais gosta. A filha mais velha a mergulhar nas águas do rio, o pai e o filho mais novo à descoberta dos centenários moinhos na margem do rio Tâmega e a mãe a pintar. Uma atividade que jamais tinha experimentado e que agora se aventura descobrir, entre outras adquire competências relacionadas com o escolher o pincel mais adequado, as cores, os traços que mais se ajustam ao desenho que escolheu fazer perante a paisagem magnifica que a natureza lhe presenteia. Entretanto, volta ao seu mundo, foca-se na tarefa e a ouvir o moderador cultural a contar a história de vida do pintor amarantino e a seguir as orientações da facilitadora relativas às misturas das cores e aos ângulos a escolher para o posicionar do seu tripé. A mãe sabe que é neste contexto de paz e harmonia que cuida de si e dos seus mais queridos.

Fica o convite para “Stay to Talk” e fazer uma pausa cultural e/ou férias sustentáveis e de bem-estar. O que poderá fazer na nossa região?

Propomos-lhe algumas atividades relacionadas com a Rota dos Artistas, um itinerário temático, que em tempos desenhamos para si, que liga lugares de aprendizagem desde o litoral ao interior do país e que visa perpetuar a memória de algumas figuras ilustres e respetivos territórios, abrindo aqui a possibilidade de estes serem vividos de forma sustentável e trabalhados pedagogicamente. Parte-se à descoberta do património material e imaterial e somos desafiados a experimentar, com os locais, a vida e obra de seis artistas, três escritores (Agustina Bessa-Luís, Teixeira de Pascoaes e António Nobre) e três pintores (Amadeo de Souza-Cardoso, Acácio Lino e António Carneiro). Ao percorrer esta Rota, fica mais rico pois conhecerá de perto os artistas, os seus lugares de eleição, algumas histórias e vivências, que em tempos os ligaram e que deram o mote à designada Geração de Ouro de Amarante.


A região de Amarante apresenta-lhe algumas sugestões pelas quais poderá optar de acordo com as suas preferências, necessidades e/ou objetivos da visita.

1- Pela Natureza:

Propomos-lhe duas Caminhadas Culturais, onde poderá sentir os lugares de dois grandes artistas amarantinos, integrados na Rota dos Artistas. Através da vida e obra do pintor Amadeo de Souza Cardoso e do escritor Teixeira de Pascoaes levamo-lo a experienciar os lugares, a natureza, as palavras ou as cores dos quadros com que os artistas descrevem cenários amarantinos. 

2 – Pela Arte:

Propomos-lhe dois momentos onde poderá praticar o saber-fazer, essencialmente, experienciar ou aprofundar a técnica da pintura e esboçar desenhos quer numa simples tela quer em materiais alternativos e lugares improváveis, onde será surpreendido pela criatividade de quem o recebe e do trabalho final que fez e que levará consigo. Desafie-se!

3 – Bem Estar:

Propomos-lhe um dia ou fim de semana diferente, uma experiência de imersão cultural, gastronómica e de bem-estar onde aliamos a história castreja, produtos locais como o hidromel e saberes-fazer locais, terminando a sua aventura com momento relaxante em SPA, uma experiência de saúde e de bem-estar única na região.

Independentemente da modalidade que escolher realizar cuide de si, a vida não é só trabalho, a vida é para ser vivida a cada momento que passa, com os mais queridos, momentos de pausa, essencialmente, momentos de felicidade. Crie memórias e seja feliz a recordá-las! 

(*) In VER, Marta Lince Faria, “Aprendizagem por Imersão” de 26 de fevereiro 2021.

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