Um visionário chamado António Pinto Monteiro…

Pode parecer controverso, mas escrever sobre alguém que admiramos pode tornar-se algo difícil. Uma tarefa que se complica, quando somos amigos da pessoa em questão. Esta minha crónica é, por isso, um exercício que eu diria até “muito difícil”. Mas, passando a redundância, comecemos pelo princípio.

Não há, ainda, grande consenso relativamente à definição de “empreendedor social”. Ainda assim, o Instituto do Empreendedorismo Social diz-nos que, “é um catalisador da mudança que resolve, eficazmente, problemas sociais”. Ou seja, cria e maximiza valor social, estando comprometido com uma causa comunitária. Uma qualidade que o distingue, por exemplo, de um empreendedor comercial, que tem como objetivo principal gerar o maior volume possível de receitas e lucros.

Por isso, as preocupações de um empreendedor social vão mais além, tendo a sua atuação como principal foco o desenvolvimento de soluções inovadoras e de mudança para dar resposta às questões sociais, nas mais diversas áreas, como a saúde, educação, juventude, meio-ambiente, ou direitos humanos, entre outras.

Há dias, num encontro sobre Inovação Social a que assisti, um dos oradores enumerava algumas características de um “Empreendedor Social”, como sendo perseverante, realista, visionário e inovador. O primeiro nome que me veio à cabeça foi: “António Pinto Monteiro”. E, nele, o significado ganha um sentido redobrado, porque temos de recuar até 1979, onde encetou um caminho duro, mas que veio a dar bons frutos.

Nessa altura, tudo era mais complicado. As comunicações não eram tão acessíveis e simples; as viagens eram muito caras e existia sempre a barreira da língua. Ainda assim, não se coibiu de “arregaçar as mangas” e lutar; procurou estabelecer parcerias; pediu apoios, insistiu, persistiu. Percorreu o nosso país e foi além-fronteiras, à procura de ajuda e de boas práticas para replicar nas obras sociais que queria criar aqui, em Portugal: França, Alemanha, Bélgica, Holanda, Suécia, Japão, Brasil, foram alguns dos seus destinos, entre tantos outros. E partiu sempre sem medo. Destemido. Outra das suas grandes caraterísticas.

Naturalmente, nem sempre foi sozinho, pois conseguiu transmitir o seu entusiasmo e força para algumas pessoas que também o foram acompanhando, nas suas jornadas. Como faz sempre questão de dizer: “Há amigos que não esquece”. Amigos que faz sempre questão de lembrar, e de lhes agradecer, eternamente, a ajuda e o apoio. Mesmo quando era difícil acreditar que os sonhos e projetos que tinha, poderiam ser concretizáveis. Amigos que o auxiliaram a erguer as obras sociais que, hoje, são um orgulho para toda a Comunidade. Desde a Cercimarante, passando pela Associação A Terra dos Homens, não esquecendo o Infantário-Creche O Miúdo, ou mesmo um Centro de Dia para idosos. Grande parte delas com um impacto social muito grande.

Tantas e tantas vezes entrevistei o Sr. Pinto Monteiro, de há uns anos a esta parte, e sinto que cresce sempre a minha admiração pela pessoa, pela visão, perspicácia e inteligência. Num mundo onde, cada vez mais, “olhamos para o umbigo”, conhecer alguém como o Sr. Pinto Monteiro é, para mim, um privilégio. É um homem digno de todo o respeito. Quem dá tanto de si, em prol dos outros, sacrificando a sua própria vida, só pode ter bom coração. Quem olha para o próximo e luta para que se respeitem os seus direitos individuais e de cidadania, bem como a sua dignidade, só pode ter bom coração. Quem constrói um lar para acolher e abraçar crianças em risco, só pode ter bom coração!

E o que melhor pode caraterizar o Ser Humano, do que um bom coração?

Obrigada, Sr. Pinto Monteiro, por tudo o que tem feito. Com o seu contributo, o mundo fica, sem dúvida, um pouco melhor!

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