Vou-me mantendo otimista, mas…

Sou a favor da igualdade de direitos, mas… Acho que homens e mulheres devem ganhar o mesmo pelo mesmo trabalho, mas… Penso que não podemos discriminar pessoas pela cor da pele, mas… Sou a favor de direitos iguais para heterossexuais e homossexuais, mas… Homens e mulheres devem sempre denunciar abusos sexuais, mas… Acredito que os arguidos têm direitos, mas… Compreendo o drama dos refugiados, mas… Não tenho nada contra ciganos, mas… Não me importo que venham estrangeiros para Portugal, mas… Preocupa-me a violência doméstica, mas… Sou contra a justiça popular, mas… Sou a favor da liberdade religiosa, mas… Eu não tenho nada contra muçulmanos, mas… Acho bem que gays possam casar, mas… Acho que a agressão sexual é um crime muito grave, mas… Acho bem que haja separação entre a Igreja e o Estado, mas… O Holocausto foi um crime contra a Humanidade, mas… Eu acho que todos devem ter direito a Educação, mas… Acredito na presunção de inocência, mas… Acredito que a violação de um homem é tão grave como a de uma mulher, mas… E podia ocupar mais “1027 caracteres incluindo espaços” com isto. Com frases que ouvimos, todos os dias, da boca de quem acredita estar a professar o seu respeito pelos Direitos das pessoas. Como se estes fossem Direitos negociáveis. Mas não são. Um “mas” apaga tudo o que está antes. O que realmente vale nestas frases é o que viria a seguir e apenas isso.

É bem verdade que importa, no que toca a uma boa parte dos assuntos deste Mundo, avaliar as diversas dimensões dos problemas e não os arrumar entre o certo e o errado. Importa olhar para os matizes, para os cinzentos. Para o lado que não é o nosso, para os argumentos que, por vezes, até nos arrepiam. Não para mudarmos de ideias. Melhor: não, necessariamente, para mudarmos ideias. Pode ser até pela mera admissão, por princípio, de que há várias verdades, dependendo do lugar de onde olhamos e de onde falamos. Até chegarmos aos Direitos das pessoas. E aqui há que saber que não pode haver lugar para visões alternativas ou concessões.

É verdade que, por vezes, pode ser tentador suspender-se estes valores em prol de outros que podem parecer mais urgentes: a “segurança” é muitas vezes um catalisador dessas derivas. E é verdade que a História mostra-nos que, não raras vezes, se fomos por aí. Mas não é menos verdade que o custo é sempre tremendo. É insuportável. É aberrante. É ensurdecedor. E é por isso que ir por caminhos que não respeitem os Direitos Humanos nunca pode ser opção. É um cenário que nunca pode ser colocado num dos pratos da balança, como se fosse uma alternativa razoável ou equivalente. Porque não é.

No que toca a questões como a discriminação por etnia, género, orientação sexual ou religião; a violência doméstica; a agressão sexual ou a separação entre a Igreja e o Estado (entre outras) não pode haver compromissos. Nestas matérias, só pode haver mesmo dois lados: o certo e o errado. E mal de nós se não formos capazes de reconhecer a diferença. E voltamos ao “mas”. As conjunções adversativas indicam oposição ou restrição, diz a gramática. Eu digo que o relativismo moral pode ser uma imoralidade.

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