O carismático “verde” regressou a Sanche em certame gastronómico muito concorrido

A antiga freguesia de Sanche, atualmente inserida na União de Freguesias de Aboadela, Sanche e Várzea, em Amarante, transformou-se, no fim de semana de 06 e 07 de maio, numa auntêntica capital do “verde” com o regresso do certame dedicado a uma das mais carismáticas ofertas gastronómicas da região.

O “verde” ou “bazulaque” é um prato típico das freguesias rurais da Serra do Marão, feito à base de miúdos de anho. Serve-se como entrada, mas há também quem o entenda como prato principal. Nos anos cinquenta e sessenta do século passado era prato certo nos casamentos, sendo servido em casa da noiva antes da partida para a igreja.

A XI edição do Festival do Verde de Sanche, que marcou a retoma do evento depois de uma paragem de três anos, contou com uma receção “entusiástica e muito participada” por visitantes, afiançou ao AMARANTE MAZAZINE o autarca de freguesia Henrique Monteiro.

O certame contou com o apoio da Câmara de Amarante e foi realizado em parceria com o Centro Cultural e Recreativo (CCR) de Sanche.

O autarca sublinhou que o festival beneficiou, este ano, de um reforço do programa cultural, atividades e ainda na oferta gastronómica.

“Houve mesmo uma enchente, em particular no sábado, na hora de jantar, com espaço sempre cheio e lotado, facilmente tivemos aqui mais de mil pessoas, ao longo do dia. Fico satisfeito que este evento e a forma como está a atrair visitantes para além do concelho”, explicou o Henrique Monteiro.

Para além do bazulaque, serviu-se, pela primeira vez, no historial do festival, cabrito assado no forno, uma oferta gastronómica também com grandes tradições na região.

Toda esta oferta foi confecionada por habitantes da região, que se associaram ao festival, de uma forma voluntária, pormenor que confere ao evento um “sabor genuíno”, disse ao AM o presidente do CCR Sanche.

“Desabituamo-nos um pouco do que se passava no passado, os habitantes ajudavam-se uns aos outros. Ajudavam, trabalhavam e conviviam entre eles, sem se pagar a ninguém. É importante recuperar estas tradições e este sentimento de comunidade”, frisou Fernando Costa.

O Festival contou, ainda, com um programa de atividades alargado, com a realização de uma caminhada, no sábado, e um passeio de BTT, no domingo.

Hnerique Monteiro (esq.) e Fernando Mota

No final de setembro, regressa àquele território mais um evento a promover os produtos locais, com a Feira do Mel de Aboadela e – afiança Henrique Monteiro – há uma ideia de avançar, no início do próximo ano, com uma Feira dos Rojões, em Várzea.

“Espero que o sucesso desta edição (do Festival do Verde) sirva de exemplo para as outras feiras gastronómicas, pois começou como um evento pequeno e agora chegou a esta dimensão, que já ultrapassa o concelho. E é importante que as pessoas, a sociedade se envolvam”, conclui.

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