Restaurante Varanda da Serra: Sabores de antigamente

Francisco e Manuela, criadores do Varanda da Serra (Foto: Paulo A. Teixeira)

No Restaurante Varanda da Serra os sabores são os de antigamente! Francisco Carvaho e Manuela Cristina gerem a casa com mestria e uma oferta fundada na comida tradicional, feita em potes de ferro e em forno a lenha. Francisco, com formação profissional na área, tem 35 anos de experiência na restauração, tendo trabalhado em restaurantes icónicos da região, como a Pensão Borges, em Baião, onde esteve 12 anos; Manuela traz consigo o toque especial dos ensinamentos culinários da família, em particular de uma das suas avós.

Situado à face da principal rodovia entre Amarante e a Régua, o restaurante Varanda da Serra é, há mais de três décadas, um ponto de paragem obrigatório para um número crescente de apreciadores do melhor que se serve da gastronomia nacional.

Gerida nos últimos oito anos por Francisco Carvalho e Manuela Cristina, esta casa de pasto, situada em Gondar, na estrada N101, especializou-se no conceito do “típico português” servido num ambiente familiar e acolhedor, potenciado por um “staff” dedicado à arte da boa restauração.

Na cozinha, sobressai o antigo, mas funcional, fogão a lenha e a própria decoração das instalações transmite um sentimento de uma “casa portuguesa, repleta de memórias e estórias, mas ao mesmo tempo simples, modesta e acolhedora”, explica o gerente.

“Cada item de decoração tem algo para contar, como a forquilha natural ou uma vinagreira centenária que era usada para esconder vinho do Porto. Muitos destes objetos são os clientes que os oferecem”, revela.

O ferro e a lenha

A comida é feita em potes de ferro (Foto de Paulo A. Teixeira)

Neste restaurante, o típico português começa na cozinha, onde o portentoso fogão de ferro trabalha incessantemente, seja inverno, seja verão. 

A casa conta também com três fornos a lenha e, para ocasiões especiais, com um par de enormes potes de ferro dedicados à confeção de cozido à portuguesa.

“São dos maiores que se podem adquirir, conseguimos cozinhar neles cerca de 140 quilogramas de carne de porco. Chamam a atenção, em especial quando os levamos em serviços de catering e a vários dos eventos gastronómicos em que participamos. E o sabor da comida é totalmente diferente. Como filho de lavradores que sou, as minhas melhores refeições foram sempre as que eram feitas em potes de ferro” lembra Francisco Carvalho.

O restaurante tem marcado presença assídua em muitas iniciativas, nomeadamente na Feira do Fumeiro de Carvalho e de Rei, uma das mais antigas do seu género em Amarante; no UVVA, no Há Fest e na Feira À Moda Antiga, bem como nas de caráter regional, nomeadamente os Fins de Semana Gastronómicos promovidos pela Turismo do Norte e Porto.

O Varanda da Serra apoia também várias coletividades da região na realização de diversas atividades e nas festas locais, nomeadamente romarias religiosas tradicionais.

“Trabalhamos continuamente, e ao longo de muitos anos, para promover o restaurante e criar laços com a comunidade e com os nossos clientes. Nesse sentido, acredito que escapamos ao cliché do restaurante de passagem, à beira de estrada, pois temos clientes de todo o país e de todas as classes sociais que nos procuram e visitam, repetidamente”, explica o gerente.

Trinta e cinco anos de experiência

Restaurante Varanda da Serra (Foto de Paulo A. Teixeira).

Francisco Carvalho conta com uma carreira de 35 anos na área da restauração, tendo iniciado a sua atividade ainda adolescente, nos restaurantes “O Chico” e “Nova Estrela”, em Amarante. Prosseguiu o sonho com um curso profissional de hotelaria e subsequente estágio no restaurante Amaranto. “Uma boa experiência”, recorda.

Aos 18 anos, fundou o café “O Conde”, em Amarante, tornando-se, em meados dos anos 90, num dos mais jovens empresários do concelho. Ajudou também na abertura da pizzaria “Al Forno” e passou 12 anos na Pensão Borges, em Baião. Antes do Varanda de Serra abriu a adega típica Lagar de Pinheiro, uma “casa muito acolhedora, de grande sucesso mas que se tornou pequena demais”, recorda.

Integrou, ainda, a direção da antiga Associação Comercial e Industrial de Amarante, onde foi um dos responsáveis pela organização da Feira dos Artesanato e Gastronomia de Amarante (FAGA), entre outros eventos.

O empresário acredita que, à semelhança do que se passa na estrada N2, há potencial gastronómico e turístico por explorar ao longo do troço da N101 entre Gondar e o Alto de Quintela, apesar de um certo decréscimo do trânsito, depois da abertura do túnel do Marão.

“Temos que divulgar isto, nomeadamente com atividades e promoções em que participem todos os restaurantes, há espaço para todos. Mas também é importante que haja um trabalho anterior, de preparação, investindo na promoção”, defende.

Um toque de família na cozinha

Manuela Cristina traz consigo o toque especial dos ensinamentos culinários da família, em particular de uma das suas avós, e experiência profissional, ainda bem jovem, na antiga Pensão Avião e mais tarde no restaurante Amaranto.

Após concluir o curso de Animação Social do Colégio de São Gonçalo, trabalhou como auxiliar de educação durante 17 anos. Quando Francisco Carvalho lançou a sua carreira como empresário, com a abertura do Lagar de Pinheiro, decidiu ajudar.

“Houve uma altura em que tirei uma licença de dois anos para acompanhar o crescimento do restaurante, acabando mesmo por assumir isto a tempo inteiro e rescindir com a função pública”, explica. O trabalho faz-se em equipa, sublinha, ela tratando de todos os pratos de cozinha e Francisco assumindo responsabilidade pelos grelhados, uma área em que o reconhece como “um mestre”.

Os seus conhecimentos de cozinha tradicional emanam, particularmente de uma das avós, e também observando e estudando o trabalho de vários chefes que, ao longo dos anos, comandaram a cozinha do Varanda da Serra. 

“Somos um restaurante típico, é certo, mas sempre com disponibilidade e flexibilidade para inovar, onde for preciso”, diz.

À mesa no Varanda da Serra

Entre terça-feira e domingo há cinco pratos prontos para a diária de almoço, com três deles fixos: barriga de leitão, vitela assada e bacalhau no forno. Os restantes dois alternam entre o cozido, o bacalhau com grão-de-bico, arroz de grelos com alheira, dourada grelhada, frango da guia, costeletas de vitela, naco e a posta mirandesa, servida de um modo particular ao Varanda da Serra.

“A posta laminada é, de longe, o prato com maior saída, neste momento. É cozinhada da forma tradicional, mas depois servida cortada em fatias. Continua a ser o mesmo prato tradicional, com o mesmo molho, mas com uma nova apresentação que a torna mais apelativa. Tem tido muito sucesso, desde que nos iniciamos a servi-la desta forma” conta Francisco Carvalho. 

Ao domingo serve-se cabrito assado no forno a lenha, o mítico verde/bazulaque e às quartas há cozido à portuguesa. Ao sábado, manda a tradição que se sirvam tripas.

A carta de vinhos inclui maduros e verdes das mais variadas regiões nacionais e para todos os gostos, sejam eles tintos ou brancos.

Em novembro, a gerência promove, todos os sábados, a “Rota das Tapas”, um evento que já conta com a VII edição, em que se servem entradas e pratos representativos “do Norte a Sul do país”, acompanhados por animação cultural proporcionada por artistas locais.

No mesmo mês, o Varanda da Serra assinala o São Martinho com uma prova de vinhos verdes tintos, produzidos por vitivinicultores da região.

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