Carlos Correia apresenta “Síncope”, para dar voz à cultura independente

Carlos Correia quer dar voz à Cultura Independente.

O autor tem, para já, um desafio: dia 18 de abril, domingo, às 21h, vários estabelecimentos culturais vão difundir, online, e em simultâneo, o filme “Síncope”. É o primeiro passo. Depois, quem quiser comprar o álbum digital que dá música ao filme, pode fazê-lo.

Desde pequeno que Carlos A. Correia percebeu que a voz era muito mais do que falar ou cantar. Nascido em França, com um pai minhoto e uma mãe transmontana, regressou a Portugal com seis anos, para Ponte de Lima. Ser músico não era uma opção, era quase uma redundância: afinal, a voz, trazia-a com ele e a forma de a explorar era uma espécie de desígnio.

Por isso, mesmo parecendo contraditório, Carlos não hesitou em tirar uma licenciatura longe das notas musicais, que lhe permitisse a possibilidade de um futuro profissional mais seguro. Licenciou-se em Engenharia Eletrónica, em Guimarães, onde vive até hoje. É programador numa gasolineira. Fora isso, Carlos tem um mundo inteiro dentro da própria voz. 

Primeiro, ainda adolescente, começou por explorar a música Rock e Heavy Metal. Foi o primeiro passo dentro de um caminho que o levaria a explorar formas musicais mais alternativas. A voz. Sempre a voz no centro das suas intenções. Ainda visitou Conservatórios e Escolas de Música mas o que procurava estava muito longe dos cânones tradicionais. Por isso, Carlos decidiu ir à procura do que a sua voz lhe pedia. E como quem procura, arrisca-se a encontrar, Carlos encontrou várias formações específicas, desde workshops com a performer Margarida Mestre, teatro, danças contemporâneas a outras onde a voz e a poesia estavam sempre no centro. 

Foi o que precisou para ter ainda mais a certeza que a voz é muito mais do que aquilo a que o nosso ouvido está habituado a ouvir. E daí começaram as experiências sonoras. 
Não tardou a ser convidado para assistente de criação na Área de Comunidade da Guimarães Capital Europeia da Cultura, em 2012, onde criou o grupo a “Outra Voz”. Trabalhou também com João Pedro Vaz e “Syde-by-Side”, com Ann  Hamilton, com o Teatro da Didascália,  o Teatro Oficina e, entre muitas outras coisas, realizou um vídeo-poema experimental “Recon”, selecionado para o 4th Braga International Video Dance Festival. Também integrou criações  de Catarina Miranda, Jonathan Uliel Saldanha, Bruno Martins, Footsbarn Théâtre, Máquina  Agradável, Moncho Rodriguez e Victor Hugo Pontes. 

E seguiram-se mais projetos, mais vozes e mais vontade de trabalhar o som. 


Em 2017, Carlos começou a antecipar um colapso de que se falava: mais dia menos dia, o mundo iria mudar. Tem sido ciclico. Carlos começou a pensar num projeto que refletisse a loucura do quotidiano. Correr, correr, correr. E cair. Mal sabia que a queda teria nome de pandemia. Ao projeto deu-lhe o nome “Síncope”. E dividiu o projeto em três partes como um puzzle de geometria variável.

Uma parte sonora, com música de Pedro Ribeiro, com batidas irregulares e ritmadas, como a vida. À música, Carlos juntou a poesia. Voz com espaço para o calão, com inspiração nos cantares tradicionais, uma voz não linear, salteada, gritada, sussurrada. 
A segunda parte do projeto tem como conteúdo um vídeo baseado na obra da artista plástica Sandra Barros, a quem pediu que desenhasse paisagens com pormenores “macro” onde os olhos pudessem pousar e ficar suspensos. 

A terceira parte, será uma performance, de Carlos, ao vivo. E escreve-se no futuro porque o confinamento assim o ditou. Uma performance que encaixa o puzzle e provoca o público a usufruir da síncope. Mas Carlos quer mais. Quer fazer acontecer a cultura nos circuitos independentes. 

Para já online, depois o regresso aos espaços físicos

Para tanto, tem um desafio: dia 18 de abril, domingo, às 21h, vários estabelecimentos culturais vão difundir online e, ao mesmo tempo, o filme “Síncope”. É o primeiro passo. Depois, quem quiser comprar o álbum digital que dá música ao filme, pode fazê-lo mas terá que se deslocar às tais casas culturais onde terá à sua espera um álbum físico. Objetivo? “Fazer com que as pessoas frequentem esses espaços, lhe dêem vida, é um incentivo para o público voltar aos espaços físicos”, diz o autor.

A seguir, cereja em cima do bolo, o objetivo é que o artista possa fazer a performance ao vivo nesses mesmos espaços. Para já, de norte a sul do país, são já 7 os espaços confirmados mas até ao dia da estreia, dia 18 de abril, Carlos quer juntar muitos mais espaços e incentivar desta forma a cultura independente. E a voz. Sempre a voz. Mesmo que não se saiba ler uma nota de música.

São os seguintes os espaços que aderiram ao desafio de Carlos Correia: CAL (Ponte de Lima); Carmo’81 (Viseu); Cave Avenida (Viana do Castelo); Gretua (Aveiro); Oub’lá (Guimarães); MAR (Ponte de Lima); Salão Brazil (Coimbra).

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