Joaquim Pinheiro: o Presidente de Junta que vai ser Diácono

Joaquim Pinheiro vai trocar as suas funções autárquicas pela diaconia (Foto AM)

Após 30 anos com funções autárquicas, Joaquim Pinheiro está prestes a cumprir um sonho de vida. A 8 de dezembro, será ordenado Diácono, na Igreja da Sé, no Porto, iniciando aí um percurso de ainda maior proximidade e compromisso com a Igreja Católica.

Ao entrar nos últimos nove meses de mandato como Presidente da Junta da União das Freguesias de Amarante (S. Gonçalo), Madalena, Cepelos e Gatão, Joaquim Pinheiro anunciou que não será candidato nas próximas eleições, que terão lugar em outubro de 2021. 

A 8 de dezembro, será ordenado Diácono, na Igreja da Sé, no Porto, pelo Bispo D. Manuel Linda, e terá, então, cumprido o sonho de uma vida, querendo dedicar às suas novas funções toda a atenção e tempo que lhe forem possíveis. O Diaconado e a Presidência da autarquia não são formalmente incompatíveis e, por isso, ainda ponderou nova candidatura, mas, depois de algum tempo de reflexão, optou por não se recandidatar. Mas já lá vamos.

Joaquim Pinheiro tem 55 anos, é professor do ensino básico desde 1985 e tem um longo percurso de intervenção cívica, que construiu paralelamente a uma ligação muito forte à Igreja Católica, onde começou por ser catequista e integrou vários movimentos de jovens e grupos de oração.

Esta ligação justifica-a por “ter crescido num ambiente católico, rodeado de pessoas praticantes”, mas também por vicissitudes por que passou ao longo da vida e que o levaram “a ter fé e a acreditar”.

“Quando comecei a namorar com a menina que hoje é minha esposa, ela também era catequista (ainda hoje é). Fizemos um tempo de namoro com os dois sendo catequistas e isso foi importante para mantermos, ambos, o nosso relacionamento com Igreja. Tenho a certeza que, mesmo que assim não fosse, eu não teria perdido a fé em Jesus Cristo, mas, naturalmente, o meu compromisso com a Igreja não seria o mesmo”, reconhece Joaquim Pinheiro a AMARANTE MAGAZINE.

Esse compromisso levou-o a envolver-se ativamente nas atividades da sua paróquia (Madalena), participando nas suas celebrações e marcando presença em todas as atividades da Igreja. Até que, em 2016, o Padre José Manuel Ferreira, pároco de três das antigas freguesias que hoje integram a UF de Amarante, o convidou para um almoço, que tinha também à mesa o clérigo Joaquim Pacheco e D. António Francisco, Bispo do Porto. E ali, com o apoio do mais alto responsável da Diocese, foi-lhe feito o convite para se tornar Diácono.

Um convite que o sensibilizou e que aceitou de imediato. Mas cuja materialização implicava a concordância, apoio e comprometimento da família. E, por isso, dias mais tarde, na presença do pároco de S. Gonçalo, teve lugar uma reunião familiar para aferir da sintonia entre convidado, esposa e filhos. Uma segunda reunião, realizada na Diocese, haveria de confirmar não só a concordância familiar, mas também o seu incentivo e disponibilidade para ajudar na nova missão.

Seguiu-se o curso, lecionado pelo Centro de Cultura Católica do Porto e pela Universidade Católica. “A formação é iniciada com o chamado ‘ano do discernimento’, durante o qual confirmamos a nossa vocação e cimentamos a certeza de que queremos caminhar em direção ao Diaconado. Todos os meses, deslocamo-nos ao Centro de Cultura Católica, no Porto, onde debatemos, refletimos naquilo que corresponde ao Curso Básico de Teologia. Depois, seguem-se três anos de formação teológica, sem nunca deixarmos o caminho de discernimento e reflexão, que incluem retiros frequentes”, explica Joaquim Pinheiro.

E sobre as funções que lhe trazem este novo compromisso com a Igreja, diz que “a palavra diaconia significa serviço. O Diácono é alguém que está ao serviço da Igreja, com duas funções primordiais, que são o Serviço da Palavra e da Caridade. Toda a atividade litúrgica, quer seja a celebração da palavra, quer sejam os sacramentos (batizados, casamentos ou funerais), são funções que o Diácono está habilitado a fazer, em situações de colaboração com o pároco. Isto é, quando o pároco não consegue dar resposta ou quando a paróquia não tem pároco”.

Trinta anos de funções autárquicas

O ainda Presidente da UF de Amarante tem no seu currículo 30 anos de funções autárquicas, eleito em listas do Partido Socialista (PS), que começaram na década de 1980 como membro da Assembleia de Freguesia da Madalena. Anos mais tarde, desempenhou as funções de Secretário do Executivo daquela Junta, sendo, entre 2009 e 2013, seu Presidente.

Naquele ano, quando aconteceu a reforma administrativa que viria a criar as uniões de freguesias, foi eleito para o primeiro mandato como Presidente da União de Freguesias de Amarante (S. Gonçalo), Madalena, Cepelos e Gatão e, em 2017, para o segundo, que terminará em outubro do próximo ano.

Diácono, de facto, a partir de 8 de dezembro, Joaquim Pinheiro sê-lo-á com outra intensidade daqui a 10 meses, quando deixar de ter funções políticas. Em termos formais, já se referiu, não existem incompatibilidades entre o diaconado e a atividade autárquica e, na sua última Encíclica (Fratelli Tutti), o Papa Francisco defende mesmo que os católicos devem estar cada vez mais ativos na sociedade e convida-os a darem testemunho da sua Fé. 

“De resto, diz, enfático, Joaquim Pinheiro, a política, quando é feita com convicção, com seriedade, com honestidade é, também, um serviço aos outros”. Então, porquê a não conciliação das duas atividades? “O que eu entendo, responde, é que exercer as duas funções (de Diácono e Presidente da Junta) em simultâneo, no mesmo território, poderia causar constrangimentos, já que haveria a probabilidade de as decisões políticas que teria que tomar, por um lado, enquanto Presidente de Junta e, por outro, no meu papel de proclamador da palavra, do reino, de caridade, poderiam não ser entendíveis. Se uma das funções fosse exercida em território diferente, por certo seria mais fácil”, concluí.

Os dois mandatos de Joaquim Pinheiro como Presidente da UF de Amarante têm-se caracterizado pelas suas opções sociais e culturais, de onde se destacam iniciativas anuais como “A Festa do Livro”; o “Prémio de Literatura Infantojuvenil Ilídio Sardoeira”, aberto a todos os países de língua oficial portuguesa, ou “Prémio Nacional de Fotografia Ilustre Amarantino” (co-organizado com Associação para a Criação do Museu Eduardo Teixeira Pinto).

A UF de Amarante é, enquanto unidade administrativa, um território de 15,21 quilómetros quadrados, onde vivem 11 840 pessoas.

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