“A criação de um Museu Municipal é a única forma de preservar o espólio de Eduardo Teixeira Pinto”

Segundo Verónica Pinto, a família está disponível para ceder todo o espólio, na condição de que fique em Amarante, num museu municipal dedicado ao fotógrafo.

A presidente da Associação para a Criação do Museu Eduardo Teixeira Pinto afirmou a AMARANTE MAGAZINE que um museu criado e gerido pelo Município de Amarante é a “única forma viável” para a preservação do espólio do fotógrafo, falecido em 2009.

“Um museu municipal é a única forma de dar alguma garantia à existência deste esquipamento, em Amarante” disse a filha de Eduardo Teixeira Pinto, no âmbito de uma reportagem realizada na Casa da Granja, onde a associação tem sede.

O fotógrafo, natural de Amarante, teve uma longa carreira que se estendeu até 2009, quando faleceu, aos 75 anos de idade. Para trás ficou um legado de mais de 300 mil imagens, algumas delas galardoadas e premiadas em concursos nacionais e internacionais.

Segundo Verónica Pinto, a família está disponível para ceder todo o espólio, na condição de que fique em Amarante, num museu municipal dedicado ao fotógrafo.

Eduardo Teixeira Pinto (Foto de Joaquim T. Pinto).

“Só um museu municipal poderia garantir a manutenção da coleção para a posteridade, porque uma associação nunca poderia viabilizar, por iniciativa própria, um equipamento deste género”, sublinha, recordando que “as fundações que detêm museus passam por grandes dificuldades” e que acabam por ter que ser subsidiadas pelo Estado. “E estamos a falar de entidades que geram receita própria”, sublinha.

Verónica Teixeira Pinto diz esperar ver um futuro museu “dinâmico”, que mostre e preserve o espólio, mas que seja promotor de atividades diversificadas, para atrair públicos diferenciados, nomeadamente das gerações mais novas.

“Enquanto acharmos que ainda é possível que fique em Amarante, continuaremos a manter a esperança. Quando entendermos que não será possível, veremos que outras propostas estarão em cima da mesa, pois não é por falta de ofertas que a coleção ainda não está num museu” enfatiza. 

E acrescenta: “Não estamos a pedir qualquer compensação em troca da cedência do espólio. Apenas que exista um museu dedicado a Eduardo Teixeira Pinto, que ficará com a sua guarda, sendo esse museu do Município”.

Verónica Pinto referiu, ainda, que vai manter o ciclo de exposições itinerantes dedicadas ao trabalho do pai, um conjunto de cinco mostras que já percorreram vários museus e outros espaços, tanto em Portugal como em Espanha.

Contudo, afirma que eventualmente terá que rever este projeto, revelando que tem alguma preocupação pela sujeição, quase diária, aos efeitos de expor estas imagens, ao longo de todos estes anos.

“Estamos a falar de imagens originais, realizadas pelo meu pai, incluindo o trabalho de laboratório. Eduardo Teixeira Pinto foi um fotógrafo completo, desde o momento em que fazia a exposição até à sala de revelação”, afirma.

Por enquanto, as coleções vão continuar a viajar por Espanha e Portugal. “Mais longe não vai ser possível, apesar de haver algum interesse, mas isso acarreta custos que, por ora, não podemos suportar”, conclui.

Nota: esta peça foi publicada originalmente na edição em papel número 38 de AMARANTE MAGAZINE (Inverno 2024).

CONTINUAR A LER

Deixe um Comentário

Pode Também Gostar