Aboboreira: Assembleia Intermunicipal aprova Área de Paisagem Protegida

Dolmen de Chá da Parada (Foto: AMDT).

A criação de áreas de Paisagem Protegida tem em vista, no geral, a preservação dos ecossistemas, da sua fauna e flora, mas, na Aboboreira, vai-se mais longe, existindo um segundo enfoque muito importante em torno do Campo Arqueológico da Serra da Aboboreira.

A Assembleia Intermunicipal da Associação de Municípios do Douro e Tâmega vai aprovar, a 30 de março, a classificação da Serra da Aboboreira como Área de Paisagem Protegida Regional, decisão que será oficializada durante o seminário que terá lugar, em Baião, na tarde daquela dia e que contará com a presença do Secretário de Estado da Conservação da Natureza e Florestas, João Paulo Catarino.

A criação de áreas de Paisagem Protegida tem em vista, no geral, a preservação dos ecossistemas, da sua fauna e flora, mas, na Aboboreira, vai-se mais longe, existindo um segundo enfoque muito importante em torno do Campo Arqueológico da Serra da Aboboreira.

Aquela formação montanhosa (que ocupa uma área total de 118,9 quilómetros quadrados), foi povoada desde o Paleolítico Inferior (30 000 a.C.), época de que data o mais antigo achado ali recolhido – “um uniface de tipo acheuleuse, melhor diríamos um acheuleuse médio em caminho para o superior, talhado num calhau rolado de xisto metamórfico, um pouco micáceo e de cor acinzentada”, (Afonso do Paço, 1979) – e apresenta inúmeros vestígios do Neolítico e da Idade do Bronze, datados de 2 500 a.C., como o Dólmen de Chã de Parada. O povoamento mais intenso das aldeias da serra data do início da nacionalidade, com os seus habitantes a viverem exclusivamente da agricultura. 

Os trabalhos de investigação arqueológica na Aboboreira iniciaram-se em 1981, tendo sido liderados pelo Professor Vítor Oliveira Jorge, da Universidade do Porto.

Para além da questão ambiental, Amarante, Baião e Marco de Canaveses (por cujos territórios de estende a serra) estarão também apostados em melhorar as condições de vida nas aldeias da Aboboreira, com o objetivo de fixar população e, se possível, estimular o retorno dos que já partiram. 

Este objetivo torna “minimalistas” condicionantes que tenham a ver com intervenções no edificado das aldeias, designadamente ao nível da (re)construção, algo que os respetivos PDMs já refletem.

A classificação da Aboboreira como Paisagem Protegida Regional deverá, no dizer de um autarca, “puxar pelas potencialidades do território e terá um efeito indutor sobre as economias local e regional, pela estruturação e valorização de uma oferta turística integrada, que será exigente na preservação ambiental”.

À segunda é de vez

A criação da Área de Paisagem Protegida da Serra da Aboboreira é vista, entre os ambientalistas, como a última oportunidade de o distrito do Porto preservar um território que funcione como “pulmão” para quem habita a sua área metropolitana, depois dos eucaliptais em que se transformaram as serras de Santa Justa, em Valongo, e da Agrela, em Santo Tirso.

Esta oportunidade era já assinalada em 1989, quando, na sequência de uma tentativa por parte de empresas de celulose de criarem áreas de plantação de eucaliptos na Aboboreira, se desencadeou um movimento, então, inicialmente, liderado pela Quercus (Associação para a Defesa da Natureza), que pretendia a classificação da serra, naquela altura, como Parque Natural.

Estimulada por aquela associação ambiental, e ante a iminência de perder os pastos para o gado, a população serrana revoltou-se, desafiou as escavadoras e reivindicou a manutenção das condições naturais da serra. Foi, aliás, a partir dos acontecimentos da Aboboreira que se generalizou a todo o país a “guerra” aos eucaliptos.

Entretanto, os incêndios e a destruição de algum património paisagístico e ambiental terão contribuído para deixar cair aquela intenção de classificação, por ser mais viável a de Área de Paisagem Protegida.

Do levantamento das potencialidades da serra da Aboboreira encarregou-se, no final dos anos de 1980, a Direção Regional do Ambiente e Recursos Naturais (DRARN), entidade que elaborou um documento de caraterização e diagnóstico, a partir de pesquisas efetuadas numa área de 35 quilómetros quadrados e que incluía uma freguesia do Marco de Canaveses (Folhada), quatro de Amarante (Gouveia-S. Simão, Bustelo, Carvalho de Rei e Carneiro) e três de Baião (Loivos do Monte, Ovil e Campelo).

Os objetivos, segundo o relatório elaborado, eram os de “caraterizar a serra, o potencial natural e económico e os seus elementos patrimoniais, por forma a avaliar-se da oportunidade de uma intervenção conjugada no sentido de, por um lado, valorizar esse conjunto e, por outro, incrementar iniciativas que possibilitem o desenvolvimento  da área em estudo”.

Entre as conclusões a que chegou a DRARN, e em relação ao coberto vegetal, escreveu-se no relatório que a “inventarição botânica efetuada (…), revelou existirem algumas zonas com formações de interesse e a conservar”. 

Uma das espécies a preservar será o carvalho-alvarinho, existindo na Aboboreira a maior mancha daquela espécie na Península Ibérica.

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