No passado, foi residencial e confeitaria, com a “marca” Alcino dos Reis. Hoje, a Casa das Lérias oferece 23 quartos e um café e bar (com serviço de quinta a domingo), onde se servem os sabores tradicionais da doçaria conventual de Amarante. Aberta desde outubro, é inaugurada, oficialmente, esta quarta-feira.
A Casa das Lérias abriu portas, em outubro de 2021, como um moderno hotel, fruto de um investimento de 7 milhões de euros da canadiana Mercan Properties na reabilitação do antigo e histórico edifício de Alcino dos Reis, em Amarante, famoso pela sua emblemática confeitaria de doces conventuais e tradicionais.
O edifício vanguardista proporciona uma vista privilegiada para o rio Tâmega, oferecendo um espaço exterior amplo e um interior harmonioso e descontraído, posicionado com “ideal para quem procura um serviço com comodidades modernas, que aliam conforto e elegância”.
A Casa das Lérias herda, pois, a localização da histórica Confeitaria Amarantina com o mesmo nome, que foi propriedade de Alcino dos Reis, nascido no Porto, mas de ascendência transmontana. Alcino dos Reis viria, com apenas 14 anos, morar para Amarante, onde haveria de desenvolver vários negócios.
Influenciado pelas suas ligações a Chaves, de onde os pais eram naturais, criou, em 1910, a Confeitaria Flaviense que, 18 anos depois, passaria a chamar-se Casa das Lérias, um dos mais conhecidos doces regionais de Amarante sobre o qual escreveu, assim, Bento de Jesus Caraça:
“As lérias de Amarante não são como as do resto do Universo. Por toda a parte, as lérias são qualquer coisa de desprezível, de sem-valor, qualquer coisa que se dá quando, por desfastio, não há coisa melhor (…). In Marânus, Antologia de textos sobre Amarante, p. 69.
Indubitavelmente associados à (boa) gastronomia amarantina, os doces conventuais de Amarante terão tido origem no Convento de Santa Clara, cuja fundação remonta século XIII. Aí, as irmães Clarissas – que ocupavam parte do seu tempo na criação de animais de capoeira – terão usado os ovos como matéria prima principal na produção de doces que, depois, vendiam à população e a estabelecimentos da vila.
Em 1809, aquando da segunda invasão francesa, o Convento de Santa Clara foi incendiado, o que pôs fim à produção de doces, admitindo-se, no entanto, que as suas receitas tenham passado para lá dos muros do Convento e que o seu fabrico tenha continuado na vila, facto que terá influenciado, mais tarde, a criação da confeitaria de Alcino dos Reis, que construiu também uma pensão e esidencial e onde viveu com a família, até falecer, em 16 de março de 1967.
PUB.



