Amarante: no Marão, “a Banda vai à Escola”

Foto AM.

A formação musical na escola constitui um projeto extra-curricular, sendo desenvolvido nos “furos” em que os alunos não têm aulas, o que exige um aturado esforço de coordenação e conciliação, tendo em conta que as/os meninas/os são oriundas/os de várias turmas, com horários diferentes.

A Escola Básica (EB) do Marão, frequentada por 240 alunos, é, em alguns aspetos, uma escola singular. Repare-se neste: é uma das 12 únicas escolas do ensino básico no país que tem em curso um projeto em que é desenvolvido o conceito de “Future Classroom” (Sala de aula do futuro), inserido no que é tido por “ambientes educativos inovadores”, vistos como propícios à utilização de novas metodologias de ensino, com recurso às tecnologias digitas.

É, apesar da sua localização, numa zona marcadamente rural e de montanha, uma escola multicultural, acolhendo alunos que vieram de Angola, de Espanha, França, Paquistão ou Suíça. E, fruto da disponibilidade e competências de alguns professores, aos alunos da EB do Marão é oferecida formação musical de base comunitária, em períodos extracurriculares, em viola amarantina (havemos de escrever sobre esta atividade) e em instrumentos que integram os naipes das bandas e filarmónicas. 

E é assim que, no âmbito do projeto “A Banda vai à Escola”, 20 alunos do 2º e 3º ciclos que frequentam a Escola do Marão têm, ali mesmo, formação musical, sendo que sete deles integram já a Banda Musical de Várzea (BMV) e 13 fazem parte da sua Orquestra Juvenil. As “aulas” têm lugar todas as terças-feiras (durante o ano letivo), sendo que, aos sábados, os meninos continuam a sua formação na sede da Banda.

A formação musical na escola constitui um projeto extra-curricular, sendo desenvolvido nos “furos” em que os alunos não têm aulas, o que exige um aturado esforço de coordenação e conciliação, tendo em conta que as/os meninas/os são oriundas/os de várias turmas, com horários diferentes.

José Oliveira Cardoso, maestro da BMV, reconhece como necessária a captação de novos músicos, face à perda de elementos que afetou a generalidade das filarmónicas no período da pandemia. Fazer retornar os que se afastaram é um objetivo, mas o que se pretende também é formar novos músicos.

O investimento na captação de novos executantes está a produzir resultados, pelo que, admite aquele responsável, “as perspectivas da Banda Musical de Várzea para o futuro próximo são boas, quer quanto a concertos e atuações, quer quanto à renovação geracional dos seus elementos”.

A Banda vai à EB do Marão (Fotos AM).

“Se estes meninos continuarem a formação e mantiverem o interessem em tocar, quando formados teremos cumprido objetivos de enriquecimento da banda. Para se ter uma ideia, diga-se que as bandas com uma dimensão idêntica à nossa dispõem de três, quatro tubas. Neste momento, na nossa escola de música temos quatro meninos a tocar tuba. Isto é excelente, tendo em conta que, no total, teremos quarenta a cinquenta elementos na banda”, refere. 

“Admito, mesmo, que não haverá nenhuma banda no país que tenha na sua escola de formação quatro músicos entre os 11 e os 12 anos tocar tuba”, conclui.

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