A Natureza e o Ambiente são dois dos fatores distintivos de Amarante, que tem nas serras (Marão e Aboboreira) e nos rios (Tâmega e Olo, sobretudo), a sua oferta diferenciadora. A criação, nos últimos anos, de percursos e rotas pedonais potenciou a atratividade do Município no setor, posicionando-o como referência incontornável em atividades ao ar livre.
Amarante inaugurou, em 2003, as suas primeiras duas rotas de montanha, que tinham como particulariade a de juntarem ambiente, história e património. Tratou-se das Pequenas Rotas 1 e 2, com percursos circulares, desenvolvidos, em parte, na serra do Marancinho (ou Marãozinho), a primeira das quais tem parte do seu trajeto paralelo à ribeira com o mesmo nome.
A PR1 tem início e fim junto da igreja românica do mosteiro de Gondar e uma extensão de seis quilómetros, cerca de três dos quais coincidem com a estrada romana que atravessa a freguesia.
A PR2, com 12 quilómetros, também designada de Rota de S. Bento, começa e termina no lugar de Rua, em Aboadela, com passagens pela Estalagem de Olo, na antiga estrada medieval que ligava Vila Real a Amarante, e pela capela de S. Bento.
Em 2011, Amarante abriu, no seu território, o primeiro troço da Ecopista da Linha do Vale do Tâmega (que havia encerrado em 1990), com 10 quilómetros de extensão, entre a estação da cidade e a fronteira do concelho com Celorico de Basto (a cerca de 0,8 quilómetros da estação da Chapa.)
Depois de Amarante, os três municípios de Basto (Celorico, Mondim e Cabeceiras) procederam, também, nos seus territórios, à adaptação do canal da Linha do Tâmega a ecopista, pelo que, hoje, existem 39 quilómetros de via, utilizáveis de diversas formas (para caminhar, fazer jogging, andar de bicicleta, de patins, ou de skate).
Em 2019, o Conselho Diretivo de Baldios de Ansiães divulgou a Pequena Rota 6 (PR6), designada de Rota do Rio Marão, com uma extensão de 14,3 quilómetros e trajeto circular, com partida do lugar de Pinha, em Ansiães, à cota dos 400 metros.
O percurso da PR6 sobre até aos 900 metros e inclui passagens pelo Posto Aquícola do Torno – vulgarmente conhecido como Viveiro das Trutas; pelas antigas minas de estanho do Ramalhoso; pela Casa do Guarda do Alto de Espinho, pela Pousada do Marão e pela ponte do “Val de Baralha”, já na descida para Ansiães.

Na Serra do Marão, e também por iniciativa do Conselho Diretivo dos Baldios de Ansiães, está em criação a GR1 (GR significa Grande Rota) que terá 34 quilómetros, com o seu traçado a incluir a maioria dos mais icónicos pontos do Marão, Senhora da Serra (à cota dos 1415 metros) incluída.
Em pleno Marão, e com início à cota dos 760 metros, tem início o trilho O Marão tem sangue azul, desenhado em torno da ribeira da Póvoa, cujo percurso inclui a emblemática represa e albufeira da Póvoa, construída a seguir ao incêncio de 1985. A área em que se situa a represa é um rico laboratório natural, no qual coexistem, em harmonia, múltiplas espécies animais e arbóreas.
O trilho O Marão tem sangue azul tem uma extensão de três quilómetros (seis, com regresso ao ponto de partida, junto ao campo de futebol da Póvoa, lugar da freguesia de Ansiães), terminando em Malhada do Arneiro, à cota dos 1200 metros.
Na Serra da Aboboreira, Amarante partilha com Baião e Marco de Canaveses o Trilho dos Dolmenes (PR4) e com Baião o Trilho das 5 Aldeias e da Água (PR5). Estes percursos foram criados pela Associação de Municípios do Baixo Tâmega (AMBT).
As jóias da coroa
Com vários percursos pedonais desenhados na montanha (Marão e Aboboreira), faltava a Amarante construir trilhos nas margem do Tâmega, onde a natureza ainda se pode desfrutar em estado puro.
Depois de, a seguir a 2013, o Município ter falhado o seu propósito de transformar o Parque Florestal de Amarante, propriedade do Estado, num parque urbano, anunciou-se como alternativa a criação de um “parque linear”, cujo projeto haveria de sair do estirador do arq. Sidónio Pardal, que tinha já desenhado o Parque da Cidade, no Porto.
Construído em duas fases ao longo de mais de dois anos, e ainda não inaugurado oficialmente, o Trilho das Azenhas – assim se chama o dito parque linear – é, já hoje, intensamente utilizado por amarantinos e forasteiros (a pé, caminhando ou correndo, ou andando de bicicleta) constituindo-se como um percurso de culto, cujo trajeto se cruza com ribeiras e riachos que vão desaguar ao Tâmega.

Ao longo dos seus sete quilómetros (14, com regresso ao ponto de partida, junto às Azenhas dos Morleiros; ou 16, se o percurso for iniciado e finalizado junto à Praia Aurora) a paisagem é rica e diversa, independentemente do sítio em que o caminhante se encontre, e pontuada por xácaras que são morada de sapos e rãs.
O trilho está dotado de bancos de jardim estratégicamente localizados ao longo do trajeto, que convidam a momentos de relaxamento e contemplação.
Possível é, também, em certas zonas do percurso (que termina em Passinhos, na freguesia de Vila Caíz), fazer observação de aves que habitam o rio. Seja os patos que nele residem todo o ano, sejam as espécies migratórias (a garça real e outras) em trânsito para a Europa, na primavera; ou de regresso ao norte de África, no Outono.
A altura ideal para se fazer birdwatching no Tâmega é no inverno e na primavera, quando tem lugar a nidificação e as aves estão mais ativas.
O primeiro quilómetro do Trilho das Azenhas como que consubstancia a “reconciliação” de Amarante e dos amarantinos com o rio Tâmega, tais as vistas que se conseguem da urbe e da sua malha.
De facto, a abertura do trilho permitiu que se tivesse perspetivas inéditas da cidade, que a cada passo se revela em novos ângulos, mostrando-se integrada, coerente, harmoniosa e (ainda) mais fotogénica.
Uma das particularidades do Trilho das Azenhas é que pode ser feito de noite, o que não é despiciendo nos meses de inverno, quando o dia termina por volta das 17:00. Todo o percurso está dotado de iluminação “inteligente”, que de base tem perfil de “luz de presença”, aumentado a intensidade quando os sensores detetam movimento na proximidade das iluminárias.
A segunda “jóia da coroa” dos percursos pedonais em Amarante é o Trilho dos Castanheiros, de quatro quilómetros, construído na margem esquerda (paralelo, portanto, ao Trilho das Azenhas) e que inclui a Pista de Pesca do Formão.
O Trilho dos Castanheiros, embora mais curto, tem características idênticas ao das Azenhas, seja em termos de fauna, flora ou de paisagem, terminando num “passadiço” a uma cota superior ao rio, que convida à observação. Para quem parte da cidade, o início é feito sob o arco da Ponte de S. Gonçalo.
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