Morreu, aos 79 anos, o padre Arlindo Magalhães, que Amarante conhece por ter dedicado parte da sua vida a estudar S. Gonçalo, santo sobre o qual, de resto, escreveu a sua Tese de Doutoramento, de título “São Gonçalo de Amarante, um vulto e um culto”.
Era Doutorado em Teologia Dogmática na Universidade Pontifícia de Salamanca, Professor na Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa e Presbítero da Comunidade Cristã da Serra do Pilar (Vila Nova de Gaia – Diocese do Porto).
No passado dia 10 de janeiro, quando se evocava a morte de S. Gonçalo, esteve pela última vez em Amarante (onde vinha com alguma frequência), na apresentação do livro “Breve Tratado da Vida e Milagres de S. Gonçalo de Amarante”, numa reedição do original, editado em Roma em 1672.
Em Nota Prévia ao livro, Arlindo Magalhães escreveu: “(…) É, em meu entender, uma obra preciosa, mas difícil de ler hoje pois que é uma verdadeira ‘banda desenhada escrita”, exemplar estruturação e espantosa concisão. Não regista informação especial, tudo colhe nas hagiografias anteriores, aqui e ali interpreta, mas de tudo resulta uma pincelada forte e deficitária de uma figura que o autor queria ver universalizada no seu culto. E desejava vê-la estendida por toda a Ordem Dominicana”.
Em 1995, o Padre Arlindo Magalhães proferiu uma Conferência na Igreja do Convento de S. Gonçalo, em Amarante, intitulada “S. Gonçalo, história ou lenda?“, que tinha por base o seu Projeto de Tese de Doutoramento, texto que AMARANTE MAGAZINE haveria de editar em livro que, ainda hoje, continua à venda em espaços da Paróquia.
Entre muitos escritos sobre S. Gonçalo – e também sobre os Caminhos de Santiago – publicou, em 2003, na revista Ciências e Técnicas do Património, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, um artigo de referência, intitulado “Lugares de Culto de S. Gonçalo no Território da Atual Diocese do Porto”.
Defensor (e praticante) dos princípios do Concilio do Vaticano II, o Padre Arlindo Magalhães tinha como uma das suas referências o Padre Manuel Vilar que, em Amarante, paroquiara as freguesias de Ansiães, Candemil, Bustelo e Várzea.
No livro que, em 2021, homenageou aquele clérigo, de título “Uma Narrativa em Memórias – Irmão entre Irmãos”, Arlindo Magalhães escreveu, a propósito do “presbiteriano tradicional e o novo”, citando o Vaticano II, que “os presbíteros não poderiam ser ministros de Cristo se não fossem testemunhas e dispensados duma vida terrena e nem poderiam servir os homens se permanecessem alheios à sua vida e às suas situações. O seu próprio ministério exige, por um título especial, que não se conforme a este mundo; mas exige também que vivam neste mundo, entre os homens e, como bons pastores, conheçam as suas ovelhas e procurem trazer aqueles que não pertençam a este redil, para que também elas oiçam a voz de Cristo e haja um só rebanho e um só pastor. Para o conseguirem, muito importam as virtudes que justamente se apreciam no convívio humano, como são a bondade, a sinceridade, a fortaleza da alma e a constância, o cuidado assíduo com a justiça, a delicadeza e outras que o apóstolo Paulo recomenda”.
Eram assim, os padres Manuel Vilar e Arlindo Magalhães.

