Em 1972, Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, publicaram o livro “Novas Cartas Portuguesas”. O livro foi imediatamente banido pela polícia política e as escritoras foram julgadas por atentado à moral. O seu caso tornou-se a Primeira Ação Feminista Internacional.
No próximo domingo, às 18:00, o Cineclube de Amarante exibe, “O Que Podem As Palavras”, um retrato íntimo, na primeira pessoa, das extraordinárias “Três Marias”, que, em 1972, escreveram Novas Cartas Portuguesas. O documentário teve estreia mundial em Outubro de 2022, no DocLisboa, onde foi galardoado com o Prémio do Público para Melhor Filme Português. A estreia comercial aconteceu no passado dia 9 de março.
Passadas cinco décadas da edição de Novas Cartas Portuguesas, a história deste livro continua hoje pertinente e deve ser revisitada para que futuras gerações conheçam as mulheres que o escreveram. Mulheres que enfrentaram uma sociedade patriarcal através da literatura e do poder da palavra. Mulheres que foram levadas a julgamento por escreverem um livro. Que com coragem, determinação e um profundo sentido de companheirismo, enfrentaram uma sociedade e um regime político adversos.
A história das “Três Marias” é, também, um caso pioneiro de solidariedade internacional. Evocando um dos slogans da época, “All Women Are Maria”, de Paris a Nova Iorque, centenas de mulheres saíram à rua para demonstrar o seu apoio às mulheres portuguesas.
Num tempo em que algumas democracias apresentam fragilidades e voltam a presenciar tentativas de controlo das liberdades, apresentam- os esta história e as suas protagonistas, por serem um exemplo de resistência para todos os tempos de opressão.
Documentário, 76′
Realizado por Luísa Sequeira and Luísa Marinho
Com Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta, Maria Velho da Costa, Ana Luísa Amaral, Gilda Grillo and Adelino Gomes
Leitura das cartas por Mia Tomé
Produzido por Luísa Sequeira e Ana Almeida
Ilustrações e Animações por Sama
Filmado por Luísa Sequeira, Humberto Rocha e Ana Almeida
Desenho de Som: Maurício D’Orey
Montagem: Ana Almeida
Color grading: Victor Carvalho
Música: Guilherme Barros
Apoio à Produção: José Pedro Lopes and Pedro Medeiros
Design: João Mesquita

