António de Queirós Mascarenhas era o oitavo e último filho de Manuel Mendes de Vasconcelos, terceiro morgado de Fontelas, e de Lourença de Mascarenhas, neto paterno de Martim Mendes de Vasconcelos e Inês de Sequeira de Queirós, e materno do Doutor Amador de Queirós, senhor da Casa do Outeiro, S. Veríssimo, e de Leonor de Mascarenhas, natural de Silves (…).
Às nove horas da manhã de um sábado, primeiro dia de Dezembro de 1640, um grupo de 40 homens da nobreza portuguesa irrompia no paço real da Ribeira, matava o odiado Secretário de Estado, Miguel de Vasconcelos, e aprisionava a Vice Rainha, Margarida de Saboia, Duquesa de Mântua. Enquanto isso, outro grupo apoderava-se dos barcos atracados nos cais próximos. O Duque de Bragança era aclamado Rei de Portugal com o título de D. João IV. Terminava deste modo a união das duas coroas, que durava há sessenta anos com progressiva perda da soberania portuguesa e opressão do seu povo. No mesmo dia foram enviados emissários para todas as partes do Reino a dar a notícia da restauração da independência e da aclamação de um novo rei português.
O novo Rei tomou de imediato um conjunto de medidas de carácter administrativo, diplomático e militar para assegurar o bom êxito da revolta contra o domínio espanhol. Fez-se aclamar em todo o país para garantir a sua unidade e obediência ao novo poder, convocou as Cortes que, a 28-01-1641, o confirmavam como monarca, nomeou novos governadores das províncias e das possessões ultramarinas, enviou embaixadores aos países da Europa e começou a preparar a defesa do território, contra a esperada reação espanhola.
A 11 de Dezembro foi criado o Conselho de Guerra para administrar todos os negócios do Exército e, de seguida, a Junta das Fronteiras para tratar da fortificação e guarnição das fortalezas fronteiriças e defesa de Lisboa e dos portos marítimos. Portugal não tinha forças armadas, uma vez que os militares estavam empenhados em manter os territórios de além-mar, cobiçados pelos holandeses, ou integrados no exército espanhol, envolvido nas guerras que decorriam em vários pontos da Europa, e, ultimamente, na Catalunha que se revoltara nesse mesmo ano de 1640. Também havia uma grande carência de armas, porque no ano anterior o Rei Filipe III ordenara a apreensão de todas as que estavam na posse da população.
D. João IV vai recuperar a legislação de D. Sebastião, contida no Regimento do Capitães-mores, para implementar os três escalões de um novo Exército Nacional, começando pela mobilização geral dos homens entre os 16 e os 60 anos, o que significava o povo em armas. Assim são criadas as companhias de Ordenanças ao nível dos concelhos, vila e cidades, os terços (regimentos) de Auxiliares ou Milícias nas comarcas e os Exércitos pagos, tropa profissional e permanente de 1ª linha, nas províncias, e escolhidas as respectivas chefias: capitães e alcaides-mores, mestres de campo (coronéis) e governadores das armas. Vai também ordenar a reactivação da indústria de guerra e o reforço e guarnição, com tropas permanentes, das fortificações raianas, principalmente, nas fronteiras com a Galiza e a Estremadura Espanhola, regiões onde existiam forças significativas capazes de sufocar a revolta. Consegue algum apoio externo, nomeadamente da França, chegando a Portugal remessas de armas e grupos de oficiais experimentados, que vão servir no Exército.
No princípio do ano de 1641 foram nomeados os Governadores das Armas das Províncias. Em meados de Janeiro, D. Gastão Coutinho (1590/1653), membro do Conselho de Guerra, chegava à de Entre Douro e Minho e, no início de Fevereiro, Rodrigo (ou Rui) de Figueiredo de Alarcão (1595/1679) entrava na de Trás-os-Montes. Ambos eram militares com larga experiência nas guerras do ultramar e tinham participado activamente na revolta do 1º de Dezembro, fazendo parte do grupo dos 40 Conjurados. A sua primeira preocupação foi a de preparar a defesa da fronteira, reparar e guarnecer as fortificações e organizar e disciplinar o Exército (…).
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