As principais linhas de água do concelho, os rios Ovil e Teixeira, são ativos estratégicos que a Câmara de Baião está a requalificar, de acordo com as políticas ambientais seguidas pelo município, nomeadamente a aposta na sustentabilidade (Baião foi primeiro município português a receber a certificação como Destino Turístico Sustentável) e na valorização do património e dos recursos naturais, escreve a Câmara de Baião em nota de imprensa.
Neste âmbito, foi apresentada, na Área de Lazer de Medim, Outoreça, a Estratégia de Requalificação das Principais Linhas de Água do Concelho, seguindo-se a cerimónia de assinatura do auto de consignação da obra de Requalificação e Valorização do Rio Ovil – Troço Montante – UF de Campelo e Ovil.
“Este é mais um passo para a concretização dos nossos objetivos. Mais um projeto, que conheço desde 1998, que se apresentava como impossível, mas que estamos a concretizar. É mais um exemplo de que é possível vencer obstáculos – e tivemo-los, por exemplo, no que diz respeito aos terrenos ao longo do percurso – mas conseguimos e, por isso, este é mais um dia muito importante para Baião, para todos nós, o que me deixa muito satisfeito”, sublinhou o Presidente da Câmara de Baião, Paulo Pereira, na cerimónia.
O autarca, depois de traçar uma linha temporal desde o lançamento da ideia até esta fase do processo, recordou os desafios que ainda se apresentam, nomeadamente negociação com os proprietários dos terrenos marginais do troço do rio Ovil, ainda em Campelo, no Gôve e em Ancede, e os 18 quilómetros do rio Teixeira.
O percurso global em reabilitação tem cerca de 16 km, desde a Nascente, junto às serras da Aboboreira e Matos, até à Foz no rio Douro.
É caracterizado por um potencial cultural e ambiental enorme, pois o rio passa pelo carvalhal de Reixela (carvalhal autóctone), por monumentos pré-históricos, junto a antigos castelos roqueiros (Ovil e Penalva), a monumentos da Rota do Românico/medievais (ponte de Esmoriz e Mosteiro de Ancede), caminho romano, um possível geossítio, inúmeros moinhos e levadas, e mosaicos agrícolas diversos.
O projeto aponta para a reabilitação e valorização do rio, numa estratégia de desenvolvimento sustentável, recorrendo a técnicas de engenharia natural. Esta área da engenharia ocupa-se da valorização de cursos de água e estabilização de encostas através do emprego de material vivo, combinado com estruturas inertes como madeira ou pedra.
O objetivo passa pela criação de um “corredor ecológico”, que seja um local de fruição da natureza, de atração turística (controlada, dada à necessidade de preservação do equilíbrio ambiental), de sensibilização e educação ambiental.
Em toda a sua extensão a intervenção no corredor ribeirinho prevê a realização de trabalhos de consolidação das margens, corte e limpeza da vegetação, contenção de vegetação exótica e invasora e remoção de entulhos e correção de irregularidades.
Serão beneficiados caminhos antigos comunais e de serventia existentes, através da aplicação de pavimentos resistentes, prevendo-se também a instalação de mobiliário urbano em madeira e a construção de valetas para o encaminhamento de águas nos locais onde se verifique essa necessidade.

