A 1 de outubro, celebra-se o “Dia Mundial da Música”. Recordamos, a propósito, a Banda Musical de Várzea, num trabalho que publicámos em abril de 2020.
A música que se toca no Marão passa, em boa parte, pela Banda Musical de Várzea, freguesia onde se faz um esforço muito grande para manter o projeto de pé, iniciado há 16 anos com a constituição da Associação Musical de Várzea, que começou por criar uma escola de música.
José Carlos Miranda, 53 anos, sempre teve uma dedicação grande pela música. Fundou o conjunto “Águias do Marão”, um grupo de baile que toca em festas e romarias e anima passagens de ano; tocou saxofone na Banda Musical de Amarante e, no fim do ano de 2003, constituíu, com outras 12 pessoas, a Associação Musical de Várzea, com o intuito de criar ali uma escola de música, mas apontando, a prazo, para a constituição de uma banda filarmónica.
Em janeiro de 2004, depois de palavra anunciada nas missas de domingo, já a escola funcionava no salão paroquial da freguesia, com cerca de 40 alunos inscritos, “captados” nas escolas da Zona Ocidental do Marão (Várzea, Aboadela, Sanche, Bustelo, Ansiães, Candemil e Gondar). A direção era do maestro Fernando Moreira.
Quatro anos depois (em 2007), a Banda Musical de Várzea começava a ganhar forma e fez a sua primeira atuação, tocando na romaria de S. Pedro de Canadelo. Estava lançada a semente e vencida a primeira prova de fogo. A partir dali, era necessário dotar a filarmónica de uma base rítmica mínima, tendo-se passado para a aquisição de instrumentos considerados fundamentais. A família Mota (Mota Engil) deu uma ajuda e foi possível comprar saxofones, trompetes, clarinetes e trombones.
Passaram-se 12 anos, a Banda Musical de Várzea conta com 47 músicos, o mais novo com 13 anos e o mais velho com 75. A base de recrutamento deixou de ser o Marão e alargou-se a outras zonas do concelho, muito por força do envelhecimento populacional e da emigração dos mais jovens, agravada nos anos da troika. José Miranda ilustra esta situação com as casas fechadas (“mais de 30 por cento das habitações da freguesia”, avalia) que encontra quando, no início de cada ano, junta um grupo de pessoas ligadas à Associação Musical e parte para cantar os Reis, cujas receitas ajudam a compor o orçamento da Associação Musical de Várzea.
A escola de música da banda também tem hoje muito menos alunos, 12 ou 13, apenas, mas, mesmo assim, bastantes para um único professor, que, lecionando apenas nas manhãs de sábado, não consegue individualizar o ensino, sobretudo no estudo dos instrumentos. O professor atual, José Oliveira Cardoso, é, também, maestro e dirige a banda há 9 anos.
Filarmónica fez 19 concertos em 2019
Em dezembro de 2018, a Banda Musical de Várzea recebeu um convite inesperado, que lhe chegou através da Confederação das Bandas Portuguesas: ir atuar em Lisboa, no 1º de dezembro, Dia da Restauração e feriado resgatado à troika. Uma honra, já se vê, que contou com o apoio da União de Freguesias de Aboadela, Sanche e Várzea, que cedeu o autocarro utilizado nos transportes escolares, ao qual se juntaram as duas carrinhas, de sete e nove lugares, propriedade da banda, para o transporte de todos os elementos.
A propósito de apoios, a Associação Musical de Várzea (AMV) é também apoiada pela Câmara de Amarante, que, anualmente, lhe atribui um subsídio, comprometendo-se a banda a “doar” ao Município três concertos (Amarante, recorde-se, é Cidade Criativa da Unesco na área da música).
Por falar em concertos, em 2019 a Banda Musical de Várzea foi contratada para a realização de 18 atuações, em festas de Amarante, Baião, Marco de Canaveses e Penafiel. A última aconteceu em Vila Caiz, no final do mês de setembro.
Nascida no salão paroquial, a Associação Musical de Várzea ocupa, hoje, as instalações da antiga Casa do Povo da Freguesia, com o rés-do-chão a ser destinado aos ensaios e o primeiro andar à escola de música.
Para o Presidente da Direção da AMV, José Carlos Miranda, o futuro da banda, que ele quer assegurado, passa por aumentar o número de sócios; captar mais jovens executantes e criar-lhes condições para que se mantenham no projeto, dando estabilidade à formação e subindo a qualidade à filarmónica. Um dos seus desejos, se concretizado, passaria por a Escola do Marão ter na sua oferta escolar o ensino articulado da música, que consiste na aprendizagem de uma base musical, o estudo de um instrumento e a classe de conjunto. Esta é também a opinião de José Oliveira Cardoso, maestro, sobre quem escrevemos adiante. Terá já havido uma iniciativa nesse sentido, mas não foi possível reunir o número mínimo de alunos para a constituição de uma turma.







