Pedalar em Amarante

Ecopista da Linha do Tâmega (Foto AM).

Em abril de 2011, Amarante inaugurou o primeiro troço da Ecopista do Tâmega, que integra, hoje, a Rede Europeia de Vias Verdes. Trata-se de um percurso ciclável, mas que também é utilizado para caminhar, fazer jogging, andar de patins ou de skate. Os trilhos das Azenhas, dos Castanheiros e da Senhora do Vau, com pisos em terra batida, entretanto construídos, também permitem passeios de bicicleta.

“Às 11:15 chegou o comboyo à estação, com as bandas de Amarante e Villa Boa tocando o hymno nacional; engenheiros, governador civil, jornalistas e muitas outras pessoas do Porto, Regoa, Marco de Canavezes, Barcellos, Penafiel, etc. Todos os logares vinham tomados, até os wagons de carga replectos de gente”. 

“(…) Na estação, aguardava a chegada a philarmonica de Figueiró, que rompeu também com o hymno da carta, ao som dos vivas e do continuo estrallejar de dynamite. O comboyo era composto de 11 vehiculos: carruagens de 1ª e 3ª classe, salão, fourgon e 2 wagons de carga, rebocados pela locomotiva Compound 410, que vinha adornada com um tropheu de bandeiras, encimando um retrato a crayon do eminente orador Sr. Conselheiro António Cândido. Bordavam o retrato camélias. Em baixo, um ramo das mesmas flores, unidas por 2 largas fitas com as cores nacionais. Em três escudos – Salvé A. Cândido – viva Amarante – 1909, 21-3”. 

O relato é do jornal “Flor do Tâmega” de 28 de março de 1909 e dá conta do que foi a chegada do primeiro comboio a Amarante, sete dias antes, a 21. Estavam concluídos os primeiros 13 quilómetros de via da Linha do Vale do Tâmega, entre a Livração, na Linha do Douro, e Amarante. O caminho-de-ferro iria, agora, progredir para nordeste e seria acrescentado de mais 39 quilómetros, até Arco de Baúlhe (em Cabeceiras de Basto), onde o primeiro comboio só chegaria em 1949. Quarenta anos após Amarante!  

A 1 de janeiro de 1990, a CP (Caminhos de Ferro Portugueses) encerrou o troço da Linha do Tâmega entre Amarante e Arco de Baúlhe, que ficou, durante mais de uma década, sem ter qualquer utilização, tal como os edifícios das suas estações. Porém, em 2001, a REFER lançaria o Plano Nacional de Ecopistas, ”com o propósito de preservar e requalificar os antigos corredores ferroviários e património adjacente”. 

Aderindo ao Plano, Amarante inauguraria, em abril de 2011, o primeiro troço da Ecopista do Tâmega, que integra, hoje, a Rede Europeia de Vias Verdes, entre a estação de Amarante e a fronteira do concelho com Celorico de Basto (cerca de 0,8 quilómetros depois da estação da Chapa), numa extensão de 10 quilómetros, e em 2013 tinha recuperado o edifício e cais da estação de Gatão.

Lugar às bicicletas

Depois de Amarante, os três municípios de Basto (Celorico, Mondim e Cabeceiras) procederam também, nos seus territórios, à adaptação do canal da Linha do Tâmega a ecopista, pelo que, hoje, existem 49 quilómetros de via, utilizáveis de diversas formas (para caminhar, fazer jogging, andar de patins ou de skate), mas onde as bicicletas predominam.

De facto, são em grande número os que, diariamente, mas sobretudo aos fins-de- semana, utilizam a Ecopista do Tâmega para pedalar. Fazem-no individualmente ou entre amigos e há mesmo famílias inteiras, pais e filhos, a andarem de bicicleta.

A partida é, invariavelmente, feita da estação de Amarante e cada “ciclista” escolhe a distância que quer percorrer. Aceite o nosso convite e venha daí para os 10 quilómetros de ecopista feitos em território de Amarante.

Circule pela direita (há outros ciclistas a fazerem o percurso em sentido inverso). Cumprido o primeiro quilómetro, está a passar ao lado das antigas indústrias Tabopan, que já foram as maiores da Península Ibérica e deram emprego a mais de três mil pessoas. Pouco depois, entrará numa zona densamente florestada, com árvores e plantas autóctones, onde predominam o carvalho português (quercus faginea) e o sobreiro, em manchas aqui e ali salpicadas de medronheiros. 

Não tarda, estará a atingir um dos pontos mais emblemáticos da Ecopista do Tâmega: trata-se do túnel de Gatão, o único em todo o traçado da Linha e que tem uma extensão de 150 metros. Transposto o túnel, inicia-se uma descida (ligeira) que há de levar à ponte sobre a Ribeira de Santa Natália.

Cerca de quilómetro e meio depois do túnel, ficam o cais e o edifício da antiga estação de Gatão, com magníficos painéis de azulejos (recuperados) e, 150 metros à frente, do lado direito, está a Igreja românica de Gatão. O templo, datado do século XIII, integra a Rota do Românico do Tâmega e Sousa. No cemitério ao lado, está sepultado Teixeira de Pascoaes, escritor amarantino e nome grande da literatura nacional.

De Gatão, são afamados os seus vinhos verdes, brancos e tintos. Não estranhe, por isso, os muitos hectares de vinha que, no percurso até à estação da Chapa, bordejam a ecopista.

Com o aproximar daquela estação, passará a ponte de Santa Natália, que tomou o nome da ribeira que transpõe. A ribeira, saiba, nasce no concelho de Celorico de Basto, a 840 metros de altitude, percorrendo 16 quilómetros até mergulhar no Tâmega. 

E pronto. Pouco mais de um quilómetro depois estará na Estação da Chapa e, logo a seguir, no limite do concelho de Amarante, tendo pedalado à volta de 10 quilómetros. Faça o percurso em sentido inverso ou siga em frente.

Não tem bicicleta? Pode alugar uma

Em Amarante, a oferta ciclável não está apenas na Ecopista do Tâmega. Os trilhos entretanto construídos (das Azenhas, dos Castanheiros e da Senhora do Vau, com pisos em terra batida) permitem, igualmente, passeios de bicicleta, havendo percursos desenhado na Serra da Aboboreira destinados a ciclistas.

Se está de férias ou de visita a Amarante e não trouxe bicicleta, pode alugar uma. A “Amarantrilhos” (www.amarantrilhos.pt) é uma operadora local com oferta especializada em percursos pedestres e cicláveis e dispõe de bicicletas (normais ou elétricas) para alugar a quem queira partir à aventura. Seja para utilização na Ecopista do Tâmega ou em terrenos de montanha, individualmente ou em grupo.

Para além disso, aquela empresa oferece um portefólio de percursos organizados, com guia, feitos na cidade ou em trilhos das serras do Marão (que incluem as aldeias de Vieiros e Canadelo) e Aboboreira. Os percursos feitos na cidade são focados no património histórico e arquitetónico e incluem as margens do Tâmega.

A pensar em passeios de bicicleta em família, a “Amarantrilhos” aluga, também, cadeiras para transporte de crianças.

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