O VILA DO CONDE PORTO FASHION OUTLET estreou uma nova exposição fotográfica, designada “As Bravas”, numa homenagem às mulheres do Norte. ‘As Bravas’ conta com fotografias de Paulo Pimenta, a partir de um projeto da PELE – coletivo que desenvolve projetos de criação artística enquanto espaços de reflexão, ação e participação cívica e política.
A mostra destaca mulheres enquadradas no cenário natural da serra do Marão e os retratos são uma forma de relevar as suas histórias de resiliência. “Nesta exposição vemos figuras quase mitológicas, arquétipos da natureza na sua forma mais bela e mais crua, onde se cruzam memórias, objetos e vozes, que encontram um novo tempo e espaço de resistência, entre cantos de luta e de embalar”, refere o coletivo.
A mostra fotográfica, que ao longo de 2022 esteve exposta na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e depois nos claustros do Mosteiro de São Gonçalo, em Amarante, chega, agora, a um espaço cultural improvável, um centro comercial.
Diga-se, porém, que o Vila do Conde Porto Fashion Outlet tem uma relação próxima com o universo artístico, tendo patente, no centro, a exposição permanente “Memórias do Mar”, de Cristina Rodrigues. Trata-se de um conjunto de três instalações que homenageiam a tradição piscatória da região. A nova exposição vem reforçar essa componente extra da visita ao centro.
“Nas montanhas do Marão (re)encontramos as nossas ancestrais, mulheres que lutam e resistem. Sussurram memórias silenciadas e cantam para espantar a solidão dos dias. Guardiãs de pés descalços e de lembranças de tempos duros, de histórias e cantigas do passado, mas com o futuro no olhar”, conta a equipa artística, da qual faz parte Paulo Pimenta, fotojornalista que assina os trabalhos apresentados. “O manto que as envolve foi cosido de retalhos vivos dos caminhos que fazem parte do quotidiano e sabedoria destas Bravas, arquétipos da natureza na sua forma mais bela e mais crua.”
O projeto vive ainda fora da lente fotográfica. Face à ocultação dos nomes femininos que contribuíram para as conquistas históricas, políticas e civis, ao longo do projeto foram recolhidos relatos de heroínas da vida real, que inspiram e que devem ser recordadas pela memória coletiva. A recolha é feita junto dos grupos e parceiros, como através do Bordado Coletivo, um dispositivo que tem ocupado vários espaços públicos e que convida as pessoas a bordar algo inspirado na sua Brava. Todas estas histórias vão criando uma teia narrativa e algumas vão sendo ilustradas em formato de Fanzine, enquanto parte da coleção “As Bravas”.
As Bravas é um projeto da PELE, estrutura artística criada no Porto em 2007, que procura promover a experimentação artística enquanto espaço de diálogo e criação coletiva, numa articulação permanente entre estética, ética e política. A exposição das Bravas nasce do projeto Enxoval: Tempo e espaço de resistência, financiado pela iniciativa Partis da Fundação Calouste Gulbenkian e com apoio da Câmara Municipal de Amarante.

