Amarante, 1861: uma eleição renhida e turbulenta

Imagem do Blogue Associação Real de Lisboa.

Numa altura em que, em Portugal, se disputam Eleições Legislativas, convidamos à leitura do artigo que AMARANTE MAGAZINE publica do investigador José Pinto da Cunha, o qual relata episódios da votação, em Amarante, em 1861, para a Câmara dos Deputados da Nação Portuguesa.

Em Abril de 1861 realizaram-se eleições para a Câmara dos Deputados da Nação Portuguesa. Como era costume, desde alguns anos atrás, concorriam apenas dois partidos, ambos liberais, mas com diferentes visões para o País e que se alternavam no Governo, o qual era então de nomeação e não decorrente do resultado das eleições. 

Era eles: o Partido Histórico, chefiado pelo duque de Loulé, que reunira os antigos Setembristas do marquês de Sá da Bandeira e outras facções de esquerda do liberalismo defensoras da Constituição de 1822 e da mais ampla democracia com predomínio da soberania popular, adeptas da justiça social, economia mista e expansão dos direitos civis e políticos; e o Partido Regenerador de feição conservadora herdeiro dos apoiantes da Carta Constitucional de 1826, chefiado primeiro por Rodrigo da Fonseca Magalhães e depois por Fontes Pereira de Melo, que defendia a manutenção das instituições sociais tradicionais, combinava políticas conservadoras e progressistas, apostava no crescimento económico através da construção de infra-estruturas de transportes e comunicações e no desenvolvimento industrial e comercial, desvalorizando a democracia e a luta de ideias.

As eleições de 1 de Janeiro de 1860 experimentaram um novo modelo eleitoral com círculos uninominais, 156 no continente e 9 nas ilhas, e plurinominais no ultramar com um total de 179 deputados. Tinha vencido o Partido Regenerador com 162 deputados contra 15 do Partido Histórico e 2 dos Miguelistas. 


O 23º Governo (16-3-1859/26-4-1860) pertencia então aos regeneradores presidido pelo duque da Terceira. Seguiu-se outro, também regenerador, chefiado por Joaquim António de Aguiar, que apenas se manteve em funções entre 1 de Maio e 4 de Julho de 1860. Subiu então ao poder, conforme o rotativismo característico desta época, o Partido Histórico formando o 25º Governo presidido pelo duque de Loulé, sendo número dois o Ministro da Guerra, marquês de Sá da Bandeira, que governou de 4 de Julho de 1860 a 17 de Abril de 1865. A Câmara dos Deputados acabou também por ser dissolvida a 27 de Março de 1861 por pressão da oposição regeneradora e foram marcadas eleições para Abril desse ano com um modelo semelhante às anteriores, isto é, constituída por 177 deputados agora totalmente eleitos em círculos uninominais.  Estavam inscritos 302.169 eleitores e votaram 194.818. O Partido Histórico, governamental, obteve uma retumbante vitória conseguindo 137 deputados contra, apenas, 40 do Partido Regenerador num acto eleitoral que, tal como os anteriores e os que se seguiriam, esteve envolto em polémicas, com muitas acusações, de ambos os lados, de caciquismo e de fraudes e chapeladas eleitorais nos círculos onde a votação foi mais renhida.

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Leia este artigo na íntegra, descarregando o Ficheiro abaixo.

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