Arménio Miranda: conheço a serra a palmo

Arménio Miranda e o seu inseparável e velhinho UMM, com o qual se desloca por toda a serra.

“Conheço a serra a palmo”. É assim que termina a “nota introdutória” escrita por Joaquim Arménio Miranda ao livro que editou em 2016, quando passavam 100 anos sobre o início da florestação da Serra do Marão.

E não há naquela afirmação qualquer exagero. O “Professor Arménio”, conforme é comummente conhecido, domina, de facto, cada palmo de serra e todos os seus recantos; sabe, ao pormenor, cada caminho e o seu percurso; tem na memória a imagem e o nome dos animais, das plantas e dos arbustos que a habitam; subiu a todas a fragas e desceu todos os seus rios. 

A serra é a sua dama de eleição e por ela se bate diariamente. Por ela vai à luta sempre que a julga ofendida ou maltratada. E batalha. Seja porque mão incendiária lhe pretende desfigurar a beleza ou porque as garras de uma escavadora a ferem de sulcos. Ou porque humanos insensíveis a sujam de lixo. A serra tem nele um cavalheiro. Para lá de D. Quixote!

Arménio Miranda tem 72 anos e uma vida muito ativa em torno do Marão, designadamente do baldio de Ansiães, a cujo Conselho Diretivo preside desde 1991, em mandatos sucessivos. Antes, entre 1981 e 1984 havia já presidido àquele órgão.

Com um trabalho intenso na freguesia, Arménio Miranda tem no seu livro “Marão, a minha Serra” um testemunho de enorme qualidade, do ponto de vista histórico, onde a memória do baldio e da freguesia de Ansiães é legada à comunidade. Facto não despiciendo, se se tiver em conta como a preservação da memória é, nos tempos atuais, fundamental para o conhecimento dos povos e da sua identidade. 

Mas, naquela publicação, o Professor Arménio não se limitou à investigação histórica. Pelo contrário, ousou e arriscou uma visão prospectiva sobre o futuro do baldio, sugerindo ações, medidas, iniciativas. o Marão tem ali a sua “biblia”.

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