Fazer a diferença

Tem muitos anos a discussão sobre a criação, em Amarante, de um evento diferenciador que permitisse mediatizar a cidade, atrair visitantes e investidores e, em termos de marketing, conseguisse desencadear perceções positivas, posicionando o Município num segmento a que se associassem atributos como qualidade, prestígio, inovação, modernidade ou desenvolvimento.

Tal evento ajudaria a (re)desenhar a marca Amarante e chegou a pensar-se que a chave estaria nos “Diabos de Amarante”, dois icons integradores da idiossincrasia amarantina e que fazem parte das nossas identidade e memória coletiva. Os ensaios feitos com as procissões e queimadas dos diabos mostraram a pertinência da ideia, mas o afastamento da Filandorra do projeto e o suposto vanguardismo – a léguas do “Cirque du Soleil” que se queria imitar –  mataram a iniciativa.

Desenhado na cabeça de uma brasileira, Lu Araújo, Amarante tem, hoje, o seu evento diferenciador (mais nenhuma cidade em Portugal, ou na Europa, o tem), que a torna única, e que por via da qualidade intrínseca desse evento foi posta no mapa dos média, fazendo incidir sobre si muitas atenções. Falamos do Mimo, cujo conceito casa na perfeição com Amarante, juntando música e património histórico, arte, saberes, cinema e literatura (designadamente poesia).

Arriscamo-nos a dizer que, em termos de eventos, há um antes e um depois do Mimo que, no exterior, se associa imediatamente à designação Amarante, de forma tão forte como os nomes de Amadeo ou Agustina Bessa Luís. Amarante é Mimo, tal como Penafiel é Escritaria ou Óbidos é chocolate.

O Mimo é muito caro, ouve-se dizer. Será! Mas é bom, muito bom. É daqueles “produtos” que, no imediato, temos dúvidas em classificar como despesa ou investimento ainda que, visto enquanto peça de marketing territorial ou de promoção externa, seja relativamente fácil avaliar o seu retorno mediático, que é muito grande. A questão que subsiste é a dos efeitos que a realização do Festival possa vir a ter, a prazo, na economia de Amarante, por enquanto ainda não mensuráveis.

Depois das “provas dadas” é, provavelmente, chegada a altura de as empresas (as grandes e as de menor dimensão) se constituírem como patrocinadoras ou mecenas, o que permitiria ao Município – que deve continuar como promotor – diminuir o budget que tem reservado ao Festival.

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